André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

'Teria muita dificuldade de participar de qualquer encontro com o ministro da Justiça', diz Renan

Presidente do Senado esnoba eventual presença de Alexandre de Moraes no encontro articulado por Temer para esta quarta-feira, 26, que teria também os presidentes da Câmara e do STF; conflito teve início após operação da PF no Congresso, na sexta-feira, 21

Ricardo Brito e Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 19h08

BRASÍLIA - Em mais uma alfinetada no ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), esnobou a eventual presença do titular da pasta no encontro articulado pelo presidente Michel Temer para esta quarta-feira, 26, com a sua presença, a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, para reduzir a tensão institucional após quatro policiais legislativos da Casa terem sido presos sob a acusação de tentar obstruir a Operação Lava Jato.

"Ministro da Justiça? Ele representa qual Poder?", questionou Renan, na entrada do seu gabinete logo após se reunir com o prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), nesta terça-feira, 25. "Teria muita dificuldade de participar de qualquer encontro com o ministro da Justiça que protagonizou um espetáculo contra o Legislativo", completou.

Renan tem questionado a atuação de Moraes desde que o titular da Justiça disse na sexta-feira, 21, que os policiais do Senado extrapolaram das suas funções. Nesta segunda-feira, 24, o peemedebista chegou a chamar o ministro de "chefete de polícia".

'Juizeco'. O presidente do Senado apoiou as declarações desta terça-feira da presidente do STF. "Onde um juiz for destratado, eu também sou", disse a magistrada em sessão do Conselho Nacional de Justiça sem citar nominalmente Renan. Nesta segunda-feira, o peemedebista havia chamado o juiz Vallisney de Souza Oliveira, responsável pela operação contra o Senado, de "juizeco".

"Cármen fez pelo Judiciário o que eu fiz pelo Senado", disse Renan, que, entretanto, ressalvou que faltou da parte da presidente do STF uma reprimenda em relação ao fato de o juiz de primeira instância ter determinado uma ordem contra o Senado, o que, em seu entender, deveria ter sido decretada pela Suprema Corte.

"Enquanto o juiz de primeiro grau usurpar a prerrogativa do STF, não dá para chamá-lo no aumentativo", respondeu Renan, quando questionado se teria exagerado nos comentários ao magistrado.

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