Tereza enfrenta maratona no Legislativo

Presidente da EBC, jornalista tenta convencer parlamentares a aprovar medida provisória

O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Assim que a medida provisória da TV pública chegou ao Congresso, a diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a jornalista Tereza Cruvinel, iniciou uma maratona para aprová-la. Diante das resistências, ela passa o dia entre a Câmara e o Senado.É uma sucessão de audiências públicas, encontros reservados com bancadas e cafés da manhã com parlamentares, principalmente aqueles que atuam na área de comunicação. A principal preocupação é garantir que a TV pública não seja uma "TV chapa-branca".Na quinta-feira, Tereza começou o dia num café da manhã com o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, Júlio Semeghini (PSDB-SP). "Batemos um longo papo. Disse que temos de achar uma forma para que a TV pública não seja tão dependente do Orçamento da União. A TV tem de ter uma fonte alternativa de renda", disse Semeghini.Ele não foi o único alvo tucano. "Tereza me procurou e disse estar disposta a explicar para a bancada do PSDB a TV pública. Disse que não estava para brincadeira e não queria fazer uma TV chapa-branca", contou o líder na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), que ainda não marcou o encontro.O trabalho de convencimento não se limita à oposição. Os deputados do bloco de esquerda (PSB, PDT, PC do B, PMN, PHS e PRB), aliados do Planalto, vão reunir-se com Tereza quarta-feira. "No mundo todo existem televisões públicas que são competentes. Não é justo carimbar que é ruim só porque é público", diz o líder do PSB, Márcio França (SP). Na quinta-feira, Tereza se reuniu com a bancada do PT. "Há preocupação com o conselho e também críticas de que será uma TV chapa-branca", explicou o deputado Paulo Rocha (PT- PA).ARGUMENTOSNas conversas com parlamentares, a presidente da EBC argumenta que fará uma televisão de qualidade, que dará prioridade a programas voltados para a educação, a cultura e a diversidade regional. "A maratona é para suprir o longo debate que haveria em torno da TV pública se fosse criada por projeto de lei. Estou tentando acelerar o debate, uma vez que ela foi criada por MP", contou Tereza.Cautelosa, ela admite que a MP pode ser alterada no Congresso e um dos alvos é o Conselho Curador. "O conselho é a alma da TV pública. A voz da sociedade. Sem conselho não seria TV pública. O Congresso pode encontrar formas de incluir novas representações no conselho. Mas desde que não invente representantes corporativos. Isso não seria adequado e tornaria o conselho inoperante."A TV pública deve começar a funcionar em 2 de dezembro. A programação da Radiobrás e das TVs Educativas do Rio e do Maranhão será unificada. Já foi feita uma grade até abril. Programas como Sem Censura, da TVE do Rio, passarão a ser exibidos para todo o País."É uma grade provisória, que terá um conteúdo predominante da TVE do Rio e uma contribuição maior da Radiobrás na unificação do jornalismo. Nenhum projeto importante da TVE do Rio será excluído neste momento", garante Tereza. A TV só começará a ter produções próprias no ano que vem, quando já estiver aprovada e com orçamento liberado.

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