Terena é baleado em novo conflito no MS

Dois índios que estavam com Josiel Gabriel na hora do ataque estão desaparecidos

Pablo Pereira, Enviado especial de O ESTADO DE S. PAULO

04 Junho 2013 | 22h36

Cinco dias após a morte do índio terena Oziel Gabriel em Sidrolândia (MS), o primo dele, Josiel Gabriel Alves, de 34 anos, foi baleado nas costas quando estava na Fazenda São Sebastião, área em disputa entre índígenas e fazendeiros. O tiro que atingiu Josiel partiu de uma caminhonete prata, por volta das 17h (horário de Brasília), segundo testemunhas.

Ele recebeu os primeiros socorros no hospital de Sidrolândia e foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande, onde chegou por volta das 20h. A bala ficou alojada na altura da clavícula, próxima à coluna vertebral. De acordo com o médico Newton Renato Couto, Josiel não apresentava movimentos nas pernas, mas não corria risco de morrer. 

A Polícia Federal foi acionada e vai apurar o episódio. Outros quatro índios estavam com Josiel na hora do ataque - dois estão desaparecidos.

Os índios terena em Sidrolândia, a 70 km da capital, receberam apoio de movimentos sociais de Mato Grosso do Sul, como o dos Sem-Terra e o Movimento Camponês de Luta pela Reforma Agrária, dissidência do MST que auxilia na organização de uma marcha de protesto que chega hoje a Campo Grande.

Aos gritos de “Oziel Terena”, cerca de 200 manifestantes receberam nesta terça-feira os irmãos e a mãe do índio morto, Maria de Fátima, à margem da BR-163, a 25 km da capital.

Oziel Gabriel, de 35 anos, foi assassinado na última quinta-feira, 30, durante ação de despejo na Fazenda Buriti, uma das áreas que, segundo os manifestantes, estão no que a Funai já estabeleceu como Terra Indígena Buriti. A terra é alvo de disputa judicial entre índios e fazendeiros desde 1993.

“Mataram nosso irmão, mas não vão nos parar”, gritou Elizur Gabriel, irmão mais velho de Oziel, um dia após o enterro na aldeia Córrego do Meio, onde vive a família. Os terena reivindicam a posse de 17,3 mil hectares, hoje ocupados por fazendas e até áreas urbanas. “Nós não queremos o Brasil todo”, afirmou Elizur. “Queremos essas terras para deixar para nossos filhos e netos. O governo gasta dinheiro até com o futebol, Copa do Mundo, e não tem dinheiro para garantir as nossas terras.”

Segundo o irmão mais velho de Oziel, os índios não aguentam mais esperar por soluções de governo. Eles ocuparam anteontem mais duas fazendas: Lindoia e São José, vizinhas da área do conflito. E prometem retomar novas terras nos próximos dias.

A Buriti é de propriedade do ex-deputado estadual Ricardo Bacha (PSDB), que obteve na Justiça ordem de reintegração de posse, executada pela polícia na semana passada. O advogado Newley Amarilla, que defende Bacha, disse que vence hoje o prazo dado pela Justiça para que os índios desocupem a Buriti. 

COLABOROU LÚCIA MOREL

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