''''Teremos de ampliar a presença na Antártida''''

Presidente se emociona e promete maior ajuda ao pessoal da base

Tânia Monteiro, Antártida, O Estadao de S.Paulo

18 de fevereiro de 2008 | 00h00

Em sua 139ª viagem ao exterior, o presidente Lula fez questão de receber, em seu passaporte, o carimbo com a imagem de um pingüim, que marca a passagem dos visitantes pela Antártida. Em companhia da primeira-dama, Marisa Letícia, e do filho mais velho, Fábio Luiz, o Lulinha, o presidente visitou ontem, naquela região, a base brasileira Comandante Ferraz.Emocionado, com olhos marejados, passou pouco mais de duas horas na instalação militar. ''''Isso é inimaginável'''', declarou Lula, vendo em volta a paisagem branca e afirmando que ''''já se considerava'''' antártico. E, olhando as geleiras à sua volta, arrematou: ''''É a maior geladeira que vi em minha vida.''''Para chegar até lá, a comitiva embarcou em um helicóptero Esquilo, da Marinha, e pousou no navio de pesquisa Ary Rongel, que apóia o programa antártico brasileiro.No almoço na estação militar-científica - em que lhe foram servidos salada de bacalhau crocante e medalhão ao alho, guarnecido com legumes salteados no azeite e arroz com brócolis -, Lula voltou ao tema do dia anterior, na cidade chilena de Punta Arenas, e prometeu mais recursos para o desenvolvimento de projetos e a ampliação da presença brasileira na região.''''Mas a gente não pode ter os olhos gordos de ficar pensando apenas na questão financeira'''', avisou. ''''Temos de pensar na melhoria da qualidade de vida das pessoas, na questão do clima, na preservação da Antártida e no que podemos fazer para contribuir com a humanidade'''', emendou o presidente, após descerrar a placa de 25 anos da primeira expedição brasileira à região.Lula desembarcou com roupas especiais próprias para o frio local, abaixo de 1ºC - mas que, com sensação térmica provocada pelo vento, chega até aos -7ºC. Depois de comentar que tudo que estava vendo ''''era maravilhoso'''' e ''''inimaginável'''', Lula brincou: ''''Se a gente cai ali (apontando para o mar gelado da baía do almirantado), não sai nunca mais''''. A subchefe da estação, capitão-de-corveta Janaína Silvestre da Silva, confirmou a previsão do presidente: disse que se alguém cair naquela água estará morto em cinco a sete minutos, período que o organismo demora para ficar completamente congelado.O presidente reconheceu que é difícil ir à região, mas ponderou que ''''é necessário'''' e que todos os ministros têm de conhecer o local. Todos os governantes e ministros, prosseguiu, ''''precisam conhecer a área do extremo sul do planeta, para entender o papel dos investimentos que o Brasil deve fazer, para pesquisas que tragam resultados positivos para a humanidade''''. Ao saber que um grupo de jornalistas já estava ali há três dias, disse que gostaria de ser jornalista para poder também ficar três dias na região.''''Nós vamos ter de ampliar a nossa presença aqui, com mais investimentos, mais navios-laboratórios, melhorar a qualidade da base e trazer mais pesquisadores'''', disse o presidente, que depois do almoço foi dar um passeio pelas redondezas. Segundo ele, a base brasileira é uma das mais importantes entre as que lá estão e ''''é importante que o Brasil coloque mais recursos para que a gente possa fazer mais pesquisas''''.Na sexta-feira à noite, em Punta Arenas, Lula ouviu uma palestra sobre o programa brasileiro na área e quis saber sobre os recursos necessários para o programa. A pesquisadora Lucia Siqueira Campos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que trabalha na base, defendeu a liberação de mais R$ 10 milhões por ano e a compra de um navio-laboratório maior.O mau tempo retardou em 4 horas e meia o retorno da comitiva da Antártida. O avião da Força Aérea Brasileira só decolou às 22h10 de ontem, rumo a Punta Arenas. Ansioso, Lula, antes de embarcar, disse: ''''Tenho fé que viajaremos''''.

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