Terceiro mandato é ideia de setores do PT, critica Aécio

Para o mineiro, aprovação do projeto seria violência contra democracia

Eduardo Kattah e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse ontem que a retomada da especulação sobre um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser atribuída a setores do PT que "sempre tiveram muitas dúvidas" das "possibilidades reais de vitória" da pré-candidata do partido, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, em 2010. Aécio reiterou que não acredita que Lula embarque na tese, algo que para ele representaria uma "violência" à democracia e com sua própria biografia. Segundo o governador, também não há mais "tempo hábil" para que a eventual proposta seja aprovada no Congresso. "Em todas as conversas que eu tive com o presidente eu percebi com muita sinceridade que ele descarta essa possibilidade. Seria, na verdade, acho que uma violência com a sua própria biografia", afirmou o governador, após um almoço com o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). No início do mês, durante viagem à Espanha, Aécio disse ao jornal El País que considerava "improvável" a tese de terceiro mandato, mas manifestou a crença de que Lula voltará a concorrer à Presidência após deixar o Palácio do Planalto. No momento, ele avalia que a hipótese de terceiro mandato "inexiste". "Para que existisse, teria que ter a participação clara e efetiva do governo federal, que eu sinceramente acredito que nesse momento não ocorre", ressaltou. "Percebo que os mesmos setores do PT que sempre tiveram muitas dúvidas sobre as possibilidades reais de vitória do PT na sucessão do presidente Lula volta e meia aventam essa possibilidade."O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não quis comentar especulações sobre o terceiro mandato. "Não. Não. Eu não vou falar de política", disse ontem o paulista, durante um evento de governo.''IMBATÍVEL'' Aécio, que disputa com Serra a indicação como presidenciável tucano, manteve sua agenda política no Palácio Mangabeiras.Ele discutiu com Richa a agenda do partido. Evitou, no entanto, dar detalhes do encontro com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que pernoitou de segunda para terça-feira no Mangabeiras. FHC foi apontado como articulador de um entendimento entre Aécio e Serra para uma chapa puro-sangue. "O que ele me disse logo que chegou foi que se surpreendeu com aquelas notícias", afirmou Aécio.Porém, ao lado do governador mineiro, Richa disse que considera a chapa "imbatível". "Quem vai estar na cabeça, quem vai estar de vice, não se sabe", afirmou.

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