Terceira via muda xadrez eleitoral

Marina, na avaliação de analistas e parlamentares, pode abalar caráter plebiscitário do embate entre PT e PSDB

Julia Duailibi e Gustavo Uribe, AGÊNCIA ESTADO, O Estadao de S.Paulo

12 de agosto de 2009 | 00h00

A eventual entrada de Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, na disputa presidencial de 2010 pode acabar com o caráter plebiscitário da eleição dando origem a uma "terceira via", que certamente se beneficiará do desgaste da polarização entre PT e PSDB.Na avaliação de analistas políticos e parlamentares, a candidata Marina tende a empurrar a eleição para o segundo turno, trazendo o "imponderável" para a disputa, em razão, principalmente, de três fatores: é uma novidade eleitoral; tem boa imagem num momento em que o País assiste às denúncias no Congresso; e defende uma bandeira palatável a setores da classe média, o meio ambiente.Baseados na expressão "terceira via" - mas não no conceito desenvolvido pelo sociólogo inglês Anthony Giddens, que nos anos 90 pregou um caminho entre o neoliberalismo e a social-democracia excessivamente calcada do papel do Estado -, analistas veem mudança no xadrez político com Marina na disputa."Ela traz o imponderável para a disputa. O crescimento dela é imprevisível. Além disso, ela tira a ?plebiscitação? do pleito e joga, sem dúvida, a eleição para o segundo turno", avalia o senador José Agripino Maia (DEM-RN). A entrada de Marina na disputa também dá combustível aos entusiastas da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) à Presidência. "Caminhar para uma eleição plebiscitária ficará mais difícil, e o quadro eleitoral será mais diverso. Há espaço para duas candidaturas que defendam o projeto do presidente Lula", declarou o líder do PSB na Câmara, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Esse será o argumento usado pelos setores do PSB que são a favor da candidatura Ciro, na reunião de hoje com Lula. TETO ELEITORALPara Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente, Marina "deve ser a alternativa para os descontentes com o governo Lula e com a oposição". Carismática e com a trajetória em prol do meio ambiente, a ex-ministra deve obter mais de 10% dos votos em primeiro turno, estima Dantas. Entre os parlamentares, as estimativas iniciais ficam abaixo de 10% dos votos, embora muitos evitem arriscar em razão do "elemento surpresa" da candidatura. Marina levaria os votos dos "órfãos" da ex-senadora Heloisa Helena (PSOL)", que pode concorrer ao Senado. "Ela vai carregar uma bandeira importante e pouco recorrente no universo político brasileiro, o meio ambiente", disse José Paulo Martins, coordenador da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Marina provocará mudança no discurso de seus concorrentes - do lado tucano, os governadores José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG), e do petista,a ministra Dilma Rousseff. Para Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa, a senadora colocará em pauta um "tema pouco caro aos virtuais candidatos à Presidência Dilma e Serra". "Eles terão de tomar cuidado quando falarem sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e sobre o Rodoanel", destaca Melo.

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