Terça-feira teve invasões em SP e Sergipe

O Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiu ontem uma fazenda em São Paulo (em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema), duas fazendas no interior de Sergipe e reforçou uma marcha, em Minas, para cobrar pressa do governo na distribuição de terras no Estado. Outro grupo, ligado à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), invadiu na tarde de ontem o prédio da prefeitura de Novo Horizonte do Sul (MS), a 345 quilômetros de Campo Grande, e fez 20 reféns. Desde o mês de março, houve 102 invasões, em todo o País ? são 16 os Estados afetados pelas ações. Aproximadamente 21 mil famílias ocupam essas áreas invadidas. As ações em Sergipe ocorreram nas Fazendas Campo Grande, em Itabi, e Travessão, em Arauá, e tiveram, juntas, a participação de 130 famílias. Com isso, a investida do MST no Estado totaliza três invasões em menos de 24 horas - desde a semana passada, já foram 7 ocupações, que mobilizaram 1,4 mil famílias. Na segunda-feira pela manhã, 52 famílias invadiram uma fazenda em Gararu, a 161 quilômetros de Aracaju. A mobilização faz parte da operação desencadeada pelo líder da entidade, João Pedro Stédile, que está sendo chamada pelo MST de "abril vermelho". A Justiça já expediu mandado de reintegração de posse de duas propriedades invadidas pelo movimento. Nesses locais, os grupos se retiraram, de forma pacífica. Em Boquim, 120 famílias de sem-terra deixaram a Fazenda Garangau e montaram um acampamento nas proximidades. As 50 que estavam na Fazenda Riacho Largo, em Poço Redondo, seguiram a mesma estratégia. RefénsNa ação da Contag, 200 sem-terra invadiram o prédio da prefeitura de Novo Horizonte do Sul e tomaram 20 funcionários reféns. O grupo alega que só vai liberar os reféns com a presença do prefeito Adilço José Scapin, que estava viajando e só retorna hoje. Ao todo, 2 mil sem-terra passaram o dia realizando protestos no centro da cidade, com bloqueio de ruas e avenidas. Eles querem que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) acelere a criação de instrumentos para impedir o desmatamento para extração de madeiras nobres na Fazenda Someco, área de 18 mil hectares. Fiscais Em Minas Gerais, a marcha iniciada anteontem reuniu cerca de 200 pessoas, no noroeste do Estado, para cobrar agilidade na reforma agrária e protestar pela demora na apuração do assassinato de três fiscais e de um motorista da Delegacia Regional do Trabalho de Minas Gerais (DRT-MG), no início do ano, em Unaí. De acordo com um dos coordenadores do MST na região, Gaspar Martins Araújo, o grupo partiu de Buritis, com destino a Unaí - um percurso de cem quilômetros. A caminhada, cujo lema é "Terra, Trabalho, Paz e Justiça", deve terminar amanhã.

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