Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

André Esteves vai para o presídio de Bangu

O banqueiro do BTG Pactual foi preso nesta quarta pela Operação Lava Jato por tentar obstruir as investigações

Beatriz Bulla e Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2015 | 19h37

BRASÍLIA - O presidente do banco de investimentos BTG Pactual, André Esteves, foi transferido às 22h20 desta quinta-feira, 26, da sede da Polícia Federal no Rio, no centro, para o presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte. A transferência ocorreu depois que o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, negou pedido dos advogados do banqueiro para revogar sua prisão temporária e autorizou a transferência de Esteves para o presídio.

O banqueiro saiu em um carro da PF e foi levado para o Instituto Médico Legal, onde passaria por exame de corpo de delito. De lá, seguiria para o Ary Franco, considerado um dos piores do sistema penal fluminense. Em 2012, o Subcomitê de Prevenção à Tortura das Organizações das Nações Unidas recomendou o fechamento da unidade. 

 

Na ocasião, os observadores apontaram celas escuras, sujas, abafadas e infestadas de baratas e outros insetos. Em algumas celas, o sistema de esgoto dos pisos superiores estava vazando pelo teto e pelas paredes. 

Por ali, já passaram o ex-deputado federal Roberto Jefferson, condenado pelo mensalão, e o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, condenado por peculato e gestão fraudulenta.

Pouco antes da meia-noite, o banqueiro saiu do Ary Franco e seguiu para a penitenciária Bangu 8, na zona oeste, onde deve permanecer. 

Gravação. Esteves foi preso na quarta-feira, suspeito de obstruir as investigações da Operação Lava Jato. O banqueiro o senador Delcídio Amaral (PT-MS) – também preso anteontem – tentaram comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, diz a Procuradoria-Geral da República.

De acordo com o Ministério Público, com base em conversas gravadas pelo filho de Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró, o senador petista ofereceu uma mesada de R$ 50 mil para evitar que o ex-diretor da Petrobrás mencionasse o congressista e o BTG Pactual em eventual acordo de delação premiada.

A verba seria financiada por André Esteves, segundo conversas entre o parlamentar, o então advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, o filho do ex-diretor e o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira. O advogado e o chefe de gabinete também foram presos na quarta.

Defesa. O advogado de Esteves, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, alegou ao STF que a prisão temporária do banqueiro foi baseada “única e exclusivamente” na fala de Delcídio. Ele nega que Esteves conheça Cerveró, Bernardo, o chefe de gabinete de Delcídio e o advogado Edson Ribeiro.

Segundo o criminalista, o banqueiro conhece Delcídio assim como tem contato com outros parlamentares. O banqueiro nega também que tenha tido acesso à minuta de delação premiada de Cerveró. Em conversas, Delcídio disse que o banqueiro tinha cópia do que o ex-diretor iria delatar à Procuradoria.

A prisão temporária do banqueiro expira no domingo, e pode ser prorrogada ou convertida em prisão preventiva.

‘Constrangimento’. “Constrangido e perplexo”, conforme definição de seu advogado, Esteves passou a primeira noite de sua vida na prisão, na carceragem da Superintendência da Polícia Federal do Rio, um prédio antigo e lúgubre na Praça Mauá.

O advogado de Esteves, Kakay, descreveu o estado de espírito do cliente e negou o envolvimento dele no plano para dar fuga ao ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, preso em Curitiba no âmbito da Lava Jato.

“Imagina se ele se envolveria em uma coisa fantasmagórica, de cinema como essa fuga”, disse o advogado do banqueiro. “É uma situação constrangedora, principalmente porque a gente entende que a prisão dele é completamente desnecessária. Foram feitos dois pesos e duas medidas. Ele já foi ouvido e já houve busca e apreensão. Não existem motivos para ele continuar preso”, afirmou. Kakay informou ainda que seu cliente já falou tudo o que podia esclarecer.

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