ED FERREIRA/ESTADAO
ED FERREIRA/ESTADAO

Teori autoriza quebra de sigilo bancário e fiscal de Collor

Procuradoria-Geral analisará dados bancários e fiscais de senador, apontado por doleiro como destinatário de depósitos e dinheiro vivo

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

18 de maio de 2015 | 18h14

Atualizado às 22h44

Brasília - O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta segunda-feira, 18, a quebra de sigilo bancário e fiscal do senador Fernando Collor (PTB-AL), conforme solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os investigadores terão acesso a dados entre 1.º de janeiro de 2011 a 1.º de abril de 2014. 

A quebra de sigilos foi pedida no dia 7 e deferida na quinta-feira. Os ofícios de solicitação de informações foram enviados na sexta-feira ao Banco Central e à Receita Federal. O caso tramita em segredo de Justiça.

Na mesma decisão, Zavascki autorizou a quebra de sigilo bancário de quatro outras pessoas, entre elas Pedro Paulo Leoni, ex-ministro de Collor, e de 12 empresas, como a Gazeta de Alagoas, ligada à família do senador.

Ex-presidente da República alvo de impeachment em 1992, Collor é um dos 50 investigados no STF por suposto envolvimento em desvios na Petrobrás. A quebra de sigilo será usada pelos investigadores para checar eventuais depósitos mencionados pelos delatores da Lava Jato. 

" STYLE="FLOAT: LEFT; MARGIN: 10PX 10PX 10PX 0PX;

O doleiro Alberto Youssef disse em delação premiada ter feito “vários depósitos” a Collor e autorizado entregas de dinheiro em espécie. Em operação de busca e apreensão no escritório de Youssef, investigadores encontraram depósitos em nome do senador que somam R$ 50 mil. As operações bancárias foram feitas entre 2 e 5 de maio de 2013. 

Reação. O advogado de Collor, Fernando Neves, disse não ter conhecimento da decisão de Zavascki e não comentou o assunto.

Na semana passada, após o pedido de quebra de sigilo, Collor protocolou quatro representações contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nas quais questiona decisões e aponta “crimes de responsabilidade” por parte do chefe do Ministério Público Federal.

Em outro inquérito, a PF pediu quebra de sigilo bancário e fiscal do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE). A defesa de Renan, ao saber pela imprensa da solicitação, deixou à disposição do Supremo as movimentações bancárias e fiscais do parlamentar. Na sexta-feira, Zavascki tomou uma decisão nesse caso, mas não se tem ciência, por ora, do teor do despacho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.