Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Teori autoriza depoimento de presidente da Odebrecht na Lava Jato

Marcelo Odebrecht e executivos de outras empreiteiras serão ouvidos no inquérito que investiga a senadora Gleisi Hoffman

Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2015 | 18h24

Atualizado às 23h00

Brasília - O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou no dia 4 pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outros executivos de empreiteiras sejam ouvidos nas investigações. O pedido foi feito em inquérito que apura se a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), eleita em 2010, recebeu doações naquela campanha fruto de desvios na Petrobrás.

A suspeita sobre Gleisi, que foi chefe da Casa Civil no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, surgiu após a delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Como revelou o Estado em outubro, ele disse ter repassado R$ 1 milhão a um “emissário” da campanha da senadora. A movimentação estaria registrada com a anotação “PB 0,1”, uma referência ao marido de Gleisi, o ex-ministro petista Paulo Bernardo. O casal nega as acusações.

Gleisi e Bernardo foram ouvidos pela Polícia Federal e por procuradores no mês passado. Com base nos depoimentos de ambos, a PF recomendou a oitiva de novas testemunhas. Gleisi disse à PF que contatou diretamente alguns dos empreiteiros para pedir doações oficiais para sua campanha. Em depoimento em 14 de abril, Gleisi afirmou ter entrado em contato diretamente com Marcelo Odebrecht, que teria autorizado a doação. A empreiteira, a maior do País, é investigada na Lava Jato, mas não teve executivos presos nem denunciados.

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A senadora disse também ter pedido doações à UTC, por meio de Ricardo Pessoa, quando ele era diretor-presidente. Pessoa, que é dono da UTC e deixou o comando da empresa depois de ser preso preventivamente na Lava Jato, também será ouvido. Ele e outros oito empreiteiros foram beneficiados na semana passada por decisão de Zavascki que relaxou as prisões preventivas, transformando-as em medidas cautelares.

A senadora disse ainda que recebeu recursos da Camargo Corrêa, por meio de solicitação a João Auler, diretor da empresa. Outro empreiteiro citado é Leo Pinheiro, diretor-presidente da OAS. Zavascki também autorizou as oitivas de ambos.

A petista explicou no depoimento que, após fazer contato direto com os potenciais doadores, o tesoureiro da campanha, Ronaldo Baltazar, “entrava em cena” para realizar as contribuições. Ele será ouvido, assim como o coordenador da campanha, José Agusto Zaniratti.

Na prestação de contas de 2010, Gleisi declarou à Justiça Eleitoral contribuições da Camargo Corrêa, OAS e UTC. Não há registro de doações da Odebrecht. Naquele ano, a empreiteira doou ao diretório nacional do PT, que fez repasses à campanha da senadora. Os dados, porém, não permitem saber se se trata do mesmo dinheiro.

Também será ouvido nas investigações o “mensageiro” do doleiro Alberto Youssef, Rafael Angulo. Como revelou o Estado, a delação de Angulo aguarda homologação de Zavascki. “Esses dados serão úteis em diligência futura visando buscar os extratos de comunicações telefônicas de julho a setembro de 2010”, escreveu Janot.

Em nota, a Odebrecht afirmou que suas empresas realizam doações para campanhas e partidos respeitando a legislação, “as quais são devidamente registradas nos cartórios eleitorais”. Disse ver com “tranquilidade” a convocação de Marcelo Odebrecht e reafirmou que seus integrantes estão à disposição das autoridades para esclarecimentos. / COLABORARAM IURI PITTA e GUILHERME DUARTE

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