Teori autoriza abertura de novo inquérito contra senador Valdir Raupp

Nestor Cerveró acusou Raupp de cobrar propina para empresas de tecnologia da informação atuarem na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, de 2008 a 2014

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2016 | 21h42

BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, autorizou a abertura de um novo inquérito por corrupção passiva contra o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), nesta terça-feira. A apuração, pedida pela Procuradoria-Geral da República, se baseia na delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró.

Cerveró acusou Raupp de cobrar propina para empresas de tecnologia da informação atuarem na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, de 2008 a 2014. Em sua decisão, Zavascki ressaltou que o Ministério Público e a Polícia Federal devem atuar conjuntamente nas investigações, e que cabe ao STF apenas supervisionar os trabalhos. Com o inquérito, a Procuradoria vai avaliar se há ou não provas para que o parlamentar responda a uma ação penal.

Na delação de Cerveró, ele afirma que o senador recorreu ao então ministro de Minas e Energia Edison Lobão para evitar a demissão do seu afilhado Nelson Cardoso. Em seu depoimento o ex-diretor disse "que sabe que Nelson recebia propina dos contratos de TI" e acertava com uma pessoas chamada "Itamar" a parte que caberia a Raupp.

Em 2012, Cerveró contou que o então presidente BR Distribuidora José Lima de Andrade Neto teria demonstrado interesse em substituir Cardoso, mas foi "forçado a mantê-lo por determinação" de Lobão, que estava sendo pressionado por Raupp.

Este é o terceiro inquérito da Operação Lava Jato contra Raupp no STF. O peemedebista é próximo do presidente Michel Temer e já ocupou a presidência do PMDB. Hoje, é tesoureiro adjunto do partido.

Denúncia. Há cerca de duas semanas, a  PGR apresentou ao STF outra denúncia contra Raupp na Lava Jato. Ele é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações da Polícia Federal, o senador é suspeito de receber propina de R$ 500 mil por meio de doação oficial para sua campanha ao Senado em 2010. A denúncia da PGR aponta que o senador foi desmentido por quebra de sigilo.

O senador Valdir Raupp informou que nunca indicou empresas de tecnologias da informação para prestação de serviços na BR Distribuidora. "São acusações infundadas que fazem parte da chamada 'indústria da delação' que se instalou no País", disse o senador, em nota.

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