ADRIANO MACHADO/REUTERS - 21/11/2019
ADRIANO MACHADO/REUTERS - 21/11/2019

‘Tentativas de difamar China serão fracassadas’, diz embaixada

Manifestação ocorre depois de uma conversa telefônica entre os presidentes Jair Bolsonaro e Xi Jinping após Eduardo Bolsonaro causar crise diplomática ao culpar os chineses pela pandemia do novo coronavírus

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 19h45

BRASÍLIA – A Embaixada da China em Brasília afirmou nesta sexta-feira, dia 27, que tentativas de “difamar” o país por causa da pandemia da covid-19 irão “fracassar”. A manifestação ocorre depois de uma conversa telefônica entre os presidentes Jair Bolsonaro e Xi Jinping e da reunião emergencial dos líderes do G-20, por videoconferência.

“Acreditamos que quaisquer tentativas de difamar a China e minar a fraternidade China-Brasil, seja quem for o seu autor, seja como for a sua forma, serão fracassadas”, afirmou a embaixada, em nota oficial.

A diplomacia chinesa afirma ter constatado que surgiram no Brasil grupos e indivíduos que “fabricaram e disseminaram boatos maléficos e incitaram a xenofobia e racismo e até espalharam ódio”. Nas últimas semanas, grupos de direita apoiadores do governo Jair Bolsonaro passaram a se referir ao novo coronavírus como “vírus chinês”, a mesma forma usada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que trava disputa comercial, tecnológica e geopolítica com Pequim.

Filho do presidente da República, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) causou uma inédita reação diplomática ao dizer que a culpa pela pandemia era da China e que a “ditadura” do Partido Comunista Chinês ocultou a gravidade da covid-19, o que teria causado mais mortes. Para apaziguar o incidente na semana passada, o embaixador chinês Yan Wanming exigiu desculpas e a retirada da declaração, o que não ocorreu.

Nesta semana, o parlamentar voltou a difundir nas redes sociais teorias sem comprovação que acusam o governo comunista chinês de usar o novo coronavírus para criar uma crise mundial e associam as desavenças do pai com governadores de Estado a uma conversa deles com o embaixador.

Após a primeira manifestação de Eduardo, integrantes do governo federal passaram a questionar abertamente a confiabilidade dos dados de Pequim, entre eles o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foi uma mudança de postura, já que inicialmente o ministro havia pedido respeito aos chineses vítimas da doença.

Em nota, a embaixada disse que o governo Xi Jinging conseguiu “conter a propagação de forma efetiva” e afirmou que trabalha com transparência.

“Atualmente, a situação na China está continuadamente melhorando. Com uma atitude responsável, a China também tem vindo a compartilhar sua experiência do combate à covid-19 e as informações relevantes com a comunidade internacional, sempre de maneira aberta e transparente”, diz o comunicado.

A diplomacia afirma que os resultados alcançados pelo país são “reconhecidos” pelas Nações Unidas e OMS e que “a abordagem chinesa virou referência para o mundo”.

O governo chinês voltou a manifestar que vai atender aos pedidos de cooperação feitos pelo governo federal e governos estaduais, encaminhados por ofício diretamente à embaixada. Pequim usa o conceito de “comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”.

“Recentemente, o governo federal e alguns governos locais do Brasil também manifestaram o desejo de contar com apoio material e técnico da China. O lado chinês está disposto a oferecer assistência dentro do seu alcance para ajudar o Brasil a vencer a covid-19 com maior brevidade”, afirma a embaixada.

Parte dos primeiros 5 milhões de testes rápidos para a covid-19 comprados pela Vale e doados ao Ministério da Saúde vêm da China.

Pequim voltou a reiterar que o vem colaborando com a Organização Mundial da Saúde (OMS), à qual doou cerca de R$ 100 milhões (U$ 20 milhões), e 80 países de todo o mundo para controlar a pandemia provocada pelo novo coronavírus, relatado pela primeira vez em Wuhan, região norte da China, em dezembro do ano passado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.