Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro diz que Queiroz 'pagava' suas contas e está sendo 'injustiçado'

Presidente criticou condução das investigações contra Flávio Bolsonaro e o ex-assessor Fabrício Queiroz

Bianca Gomes, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2020 | 18h24
Atualizado 15 de dezembro de 2020 | 20h53

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 15, que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz, pagava suas contas e está sendo "injustiçado" na investigação que apura esquema de "rachadinha" no gabinete do filho.

"O Queiroz pagava conta para mim também. Era de confiança. Está com esse processo agora. Desde que instaurou o processo, eu não tenho conversado com ele. Agora, ele está sendo injustiçado também, porque tem que ser investigado e dar a devida pena se for culpado, e não prender a esposa", declarou o mandatário em entrevista ao jornalista José Luiz DatenaMárcia Oliveira de Aguiar, esposa de Queiroz, está em prisão domiciliar e, antes da decisão, ficou dias foragida da justiça. 

O presidente também disse que os cheques de Queiroz depositados na conta de Michelle Bolsonaro eram para ele, e não para a primeira-dama. "Aqueles cheques do Queiroz ao longo de dez anos foram para mim, não foram para ela. Divide aí R$ 89 mil por dez anos, dá em torno de R$ 750 por mês. Isso é propina? Pelo amor de Deus."

Na entrevista, Bolsonaro ainda criticou as investigações contra Flávio Bolsonaro e disse que a "pressão" em cima do filho e também de parentes e amigos é para atingi-lo. "Parece que o maior bandido da face da terra é o Flávio Bolsonaro. Se tem a sua culpa, se apure e se culpe, mas não dessa forma, tentando me atingir politicamente em todo o momento."

Segundo informação revelada pela revista Época e confirmada pelo Estadão, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhou orientações por escrito a advogados de Flávio sobre como agir para tentar inocentá-lo no caso das rachadinhas. O presidente disse nesta terça que sempre torceu por um "processo justo", mas que isso não está ocorrendo, e citou vazamentos do Ministério Público do Rio de Janeiro à imprensa.

2022

Bolsonaro disse que definirá "mais ou menos" em março seu novo partido e candidatura à reeleição. Ele disse que tem conversado com algumas legendas, entre elas o Progressistas e o PTB. Na entrevista, o presidente voltou a defender o voto impresso para o próximo pleito e declarar que não acredita no sistema eletrônico de votação.

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