Tensão social pode aumentar risco-Brasil, alertam franceses

"Os sem-terra do Brasil fumam os charutos e bebem o vinho do presidente". Esse título, na primeira página da edição desta terça-feira do jornal francês Le Monde, pode provocar risos contidos numa primeira leitura, mas contribui para revelar a imagem de um País onde ainda existem fortes ameaças de desestabilização social. Esses acontecimentos sociais começam a ter importantes repercussões com investidores europeus, instituições financeiras e de análise e notação econômica, podendo contribuir para aumentar o risco-Brasil.Cita-se, por exemplo, a análise do grupo Coface da França, a empresa que financia e garante as exportações francesas e que leva em conta nas notas, além do clima econômico, o social e político, principalmente em período eleitoral. Os mais recentes estudos citam como pontos fracos atuais do Brasil "a agitação social e o aumento das tensões no interior da coalizão governamental, desacelerando o esforço pelas reformas e suscitando preocupação quanto a continuidade da política econômica".Ainda segundo a Coface, "as condições de um saneamento das finanças públicas não estão ainda reunidas, dependente de reformas estruturais". Na apreciação do risco-Brasil, os analistas afirmam que o País sofre atualmente da queda do crescimento mundial, do agravamento da crise argentina que poderá ainda afeta-lo, além de um "clima político deteriorado".Isso explica o recuo dos investimentos estrangeiros, no momento em que o País enfrenta também um crescimento da dívida externa. O Brasil manteve a nota B na Coface, mas sob "vigilância negativa" , diante desse clima político de incertezas. Segundo a responsável pelo setor de risco-país da Coface, Jenny Clei, o Brasil recebeu nota B, mas não se exclui a possibilidade de uma revisão para baixo, caso ocorra agravamento da crise social, principalmente se provocada por uma eventual mudança da política econômica, após as eleições. "Os problemas sociais podem ser levados em conta na notação do país, principalmente quando existe risco de repercussões nas eleições e na própria ortodoxia da política monetária", disse Jenny Clei.Atualmente, segundo ela, o clima político e social de incertezas, causado em grande parte pelas eleições presidenciais, constitui um risco que pode ser agravado pelo prosseguimento da crise argentina que por enquanto não afetou fortemente o País.Atualmente, o Brasil está em melhor posição não apenas da Argentina, mas também do México, quando se trata de atrasos de pagamentos por parte das empresas. O México, mesmo com melhor nota do que a brasileira, A4, sofre mais as consequências da crise econômica norte-americana.

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