Tensão na segunda fazenda de Dantas invadida no Pará

Polícia diz que só irá para a região se receber ordem do comando-geral da Polícia Militar

Carlos Mendes, de O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2008 | 18h22

A fazenda Rio Cristalino, de 140 mil hectares, arrendada pela agropecuária Santa Bárbara, empresa pertencente ao grupo do banqueiro Daniel Dantas, não será desocupada tão cedo, segundo promessa da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), que invadiu a propriedade com 600 agricultores no começo da semana passada. A Santa Bárbara ingressou com liminar de reintegração de posse do pasto, mas o pedido ainda não foi despachado pela Vara Agrária de Marabá. O clima é tenso na área. A polícia diz que só irá para a região se receber ordem do comando-geral da Polícia Militar, em Belém.   A fazenda, hoje com parte de suas terras dividida entre assentados, invasores e fazendeiros, fica em Santana do Araguaia, no sul do Pará e já pertenceu à Volkswagen. No começo da década de 90 foi descoberta a existência de urânio em uma área da imensa propriedade.   A Santa Bárbara teme que os invasores destruam o pasto onde estão mais de 50 mil cabeças de gado. A Fetraf acusa a empresa de pressionar as famílias que ocupam desde o ano passado uma parte da fazenda a deixar as terras. Fazendeiros que também possuem negócios na área, alugando suas terras para grandes grupos criadores de gado, defendem a retirada dos invasores e ameaçam utilizar milícias armadas para expulsá-los da região.   O agricultor maranhense José Ferreira, de 42 anos, cinco filhos, disse que o governo federal já deveria há muito tempo ter feito uma reforma agrária "verdadeira" no sul do Pará, para impedir que imensas áreas necessárias ao assentamento de famílias continuem a ser ocupadas por grandes grupos econômicos, como o de Daniel Dantas. "O povo está morando na beira de estrada, debaixo de lona, porque o (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) demora a resolver a situação das famílias", desabafa.   O líder estadual da Fetraf, Francisco Carvalho, avisa que os sem terra irão resistir à eventual retirada das famílias. A solução, para ele, é a desapropriação total da fazenda para assentamento dos agricultores. A Santa Bárbara, por meio de sua assessoria, informou que embora não seja a dona da fazenda, ingressou com a ação judicial para garantir a permanência de seu gado nas pastagens.   Uma parte da fazenda foi desapropriada em 2004 pelo governo federal. O Incra emitiu na posse cerca de 1.300 famílias, mas fazendeiros também ocupam dezenas de lotes, o que têm provocado constantes conflitos, inclusive com mortes. "Estamos impedidos de fazer nossas roças. Os fazendeiros colocam o gado para invadir tudo", queixa-se a agricultora Maria Rosa Rodrigues.   Das 18 fazendas compradas e arrendadas no Pará pela Santa Bárbara, duas já estão invadidas. A primeira foi a Maria Bonita, no dia 25 de julho passado, em Eldorado dos Carajás. A Vara Agrária de Marabá determinou a desocupação, mas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), alega que ainda não foi notificado. "Ninguém pretende sair", disse ao Estado o coordenador estadual do MST, Ulisses Manaças.

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