Tensão leva juiz a isolar DEM e PT no Recife

Atos de campanha dos dois partidos estavam marcados para o mesmo local, mas Justiça decidiu separar para evitar confronto de militantes

Angela Lacerda, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 00h00

Ao fim de um passeio de bicicleta pela avenida Boa Viagem, zona sul do Recife, o ex-ministro e ex-governador Gustavo Krause, do DEM, lançou um pouco mais de lenha na disputa com o petista João da Costa, líder das pesquisas e candidato sub judice. "Nunca se viu tanta sujeira em uma eleição", afirmou ele. A campanha do PT, acrescentou, "é baseada no cinismo". Os atos programados pelo DEM e pelo PT para o este último domingo de campanha estavam marcados para o mesmo local: Boa Viagem. Para evitar enfrentamento entre as militâncias, o juiz eleitoral Paulo Torres interveio, tentando a mudança dos locais. Como o DEM foi o primeiro a pedir autorização, o juiz pediu ao PT que alterasse o seu trajeto, no que foi acatado. João da Costa decidiu, assim, fazer a sua "carreata da vitória" pela zona norte, num percurso de 14 quilômetros.Com 47% da preferência do eleitorado na pesquisa Ibope contratada pelo Estado e pela TV Globo, João da Costa foi aclamado por onde passava, e voltou a pregar a mobilização da militância nos últimos dias pré-eleição. "Daqui para a frente a pisada é rua, rua, rua", afirmou, entre abraços, faixas e bandeiras vermelhas. Para o comando da campanha, que engloba 16 partidos, esta foi a maior mobilização da campanha até agora.Mas o clima deve continuar quente até quinta-feira, quando se dará o encerramento da campanha com um debate entre os candidatos na TV Globo. A cassação - em primeira instância - da candidatura de João da Costa, por uso da máquina pública, deverá ser explorado pelos seus adversários. Ele tem se colocado como vítima no episódio e acredita que a sentença será revogada nas instâncias superiores da justiça eleitoral.Com as bicicletas portando faixas "vote limpo", Mendonça Filho, com 22% de preferências no Ibope, reforçou as queixas de uma "luta desigual" contra um adversário (Costa) que, segundo ele, usa a máquina administrativa e cuja campanha espalha boatos de que votando contra o PT a população irá perder os programas sociais. "É mentira", rebateu o candidato, que promete ampliar ainda os programas sociais existentes. Animado por ter subido para o terceiro lugar, com 12%, Raul Henry (PMDB) esteve à frente de uma carreata no bairro do Iburá, zona sul, ao lado do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB).

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