Evaristo Sá|AFP
Evaristo Sá|AFP

Tenho um lado, nunca estive em cima do muro, diz ministro licenciado Marcelo Castro

O peemedebista deixou a Pasta temporariamente para apoiar Leonardo Picciani na eleição à liderança do partido na Câmara

Erich Decat, Igor Gadelha e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2016 | 14h38

BRASÍLIA - Alvo de críticas de parte da bancada do PMDB, ligada ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), ministro da Saúde licenciado, afirmou nesta quarta-feira, 17, que tem o direito participar da eleição do novo líder e que não teme manifestações contrárias à sua participação.

O ministro licenciado conversou com o Estado pouco antes do início da reunião desta tarde em que integrantes do PMDB da Câmara vão escolher quem irá comandar a bancada neste ano. A briga está entre o atual líder, Leonardo Picciani (RJ), ligado ao Palácio do Planalto, e o deputado Hugo Motta (PB), que integra o grupo de Eduardo Cunha, responsável por dar início ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Indicado por Picciani para o ministério, Marcelo Castro foi exonerado do cargo temporariamente para participar da votação.

"Tem uma decisão da bancada hoje e acho que tenho que participar. Tenho um lado, nunca estive em cima do muro. Por isso, vou exercer o meu direito de parlamentar", disse Castro, que afirmou ainda que "nunca tive dúvida de que voltaria. Só não achava que deveria publicizar para não criar expectativa antecipada". Ele disse que, desde o começo da campanha para liderança do PMDB, ele tinha certeza de que pediria exoneração para participar do pleito.

Segundo o peemedebista, como único deputado do PMDB do Piauí e como presidente estadual da sigla, não poderia deixar de participar do pleito na tarde desta quarta-feira.

Questionado se deixaria o ministério em caso de vitória de Motta, Castro disse não vislumbrar motivos para tanto. "Não há nenhuma razão para isso e não sei qual a correlação que existe. Sou ministro da Saúde a convite da presidente Dilma e, enquanto gozar de sua confiança, lá eu permanecerei", afirmou.

"Foi indicação da bancada e continuarei até o dia em que a presidente Dilma achar conveniente. Quando ela achar que não, saio e volto a ser deputado", disse Castro.

Enquanto o ministro dava entrevista, manifestantes vestidos de mosquitos, com raquetes elétricas nas mãos, jogaram mosquitos de papel na porta do auditório onde acontece a reunião. Os seguranças não permitiram a entrada dos manifestantes. O peemedebista minimizou o episódio "um homem público assume posições e isso tem consequências. E estou certo de que tomei a decisão certa", disse.

A votação será fechada, sem a presença da imprensa. O presidente da sessão, deputado Newton Cardoso Júnior (MG), determinou que os seguranças retirassem os jornalistas do plenário. 

O ministro licenciado diz que passou a manhã em sua residência em Brasília realizando ligações para lideranças partidárias e prefeitos do seu Estado. No final do dia, às 18h, está previsto um encontro com a presidente Dilma, novamente como ministro.

Exoneração.  Castro confirmou que o Planalto deu aval para sua exoneração. Ele disse que comunicou seu desejo de participar da eleição do PMDB na Câmara aos ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de governo) e ao assessor especial da Presidência da República, Giles Azevedo. "Comuniquei e todos concordaram com a minha decisão", comentou. Ele ressaltou que não chegou a conversar diretamente com a presidente Dilma Rousseff.

 

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