Tenho tempo se quiser sair do PT para disputar prefeitura, diz Marta

Após seu primeiro discurso na volta ao Senado, petista não descartou hipótese de deixar a legenda, mas disse ser 'precipitado' falar do assunto

Isadora Peron, Nivaldo Souza e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2014 | 19h41

Brasília - A ex-ministra da Cultura senadora Marta Suplicy (PT-SP) disse nesta terça-feira, 18, que não descarta a possibilidade de sair do PT, partido no qual é filiada há mais de 30 anos. "Essa não é uma preocupação neste momento. Eu tenho tempo se quiser sair do partido para disputar uma prefeitura (de São Paulo). Eventualmente, eu tenho um ano para fazer isso. Se eu quiser sair mais para frente, para disputar um governo, eu tenho três anos", afirmou.

A declaração foi dada após ela fazer o seu primeiro discurso na tribuna do Senado. Na semana passada, ela deixou o cargo de ministra da Cultura fazendo críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, especialmente na área econômica. O gesto foi interpretado como uma sinalização de que a petista pode deixar o partido para disputar as eleições à Prefeitura de São Paulo em 2016.

Sem negar essa possibilidade, Marta disse que está avaliando a situação e defendeu que é possível trocar de partido sem perder o mandato, citando um parecer do procurador-geral República, Rodrigo Janot, que defendia a tese de que as regras da fidelidade partidária não podem ser aplicadas no caso dos senadores.

Apesar de toda a argumentação, a senadora disse ser "precipitado" falar sobre o assunto. "Neste momento, eu voltei e pertenço à bancada do Partido dos Trabalhadores e estarei lá trabalhando."

Pela manhã, também em entrevista a jornalistas, Marta afirmou que o desconforto com o Palácio do Planalto depois da sua saída barulhenta do ministério era "página virada" e, mesmo hesitando por alguns segundos, disse que iria usar o seu mandato para defender o governo.

Discurso. Em seu primeiro pronunciamento no Senado, Marta evitou fazer críticas ao governo e propôs um pacto entre os principais partidos por uma defesa "intransigente" do regime democrático, já que nas últimas semanas manifestações reuniram pessoas que pediram a volta do regime militar.

"Neste momento em que retorno a esta Casa, esta que foi símbolo e baluarte das liberdades, quero conclamar a todos para que façamos um grande pacto, forte, permanente pela defesa intransigente da democracia", afirmou.

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