André Dusek|Estadão
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'Tenho esperança, mas se Dilma não convencer senadores, fará gesto histórico', diz Lula à BBC

Em entrevista a um dos mais prestigiosos telejornais da TV britânica, o ex-presidente afirmou que Rousseff demorou a agir para evitar a crise econômica e que não teme ser preso em decorrência da Lava Jato

O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2016 | 13h07

LONDRES - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma ter esperança de que a presidente afastada Dilma Rousseff conseguirá votos suficientes para evitar o afastamento definitivo no Senado. "Se a Dilma não conseguir convencer 28 senadores, ela vai estar fazendo um gesto histórico neste País", disse.

O ex-presidente disse ainda que Dilma "demorou ou não percebeu que estava entrando menos dinheiro" no caixa do Tesouro Nacional e afirmou que não tem medo de ser preso. Lula concedeu entrevista a um dos mais prestigiosos telejornais da TV britânica, o Newsnight, transmitido pela BBC2.

"Eu estou torcendo para dia 29 o Congresso não afastar a Dilma. Eu tenho esperança. Eu sou um homem de muita esperança. Vai ser um momento importante, um momento histórico porque a presidenta vai ao Senado se expor. Ela corajosamente vai se colocar diante de seus acusadores para que o Judas Iscariotes possa acusá-la na frente dela", disse Lula à emissora britânica.

O ex-presidente exaltou que Dilma tem coragem de se expor diante de 81 senadores e olhar olho no olho para se defender. "A História não julga na mesma semana. Às vezes, a História demora séculos para julgar e eu trabalho com isso. A História não termina dia 29. Ela começa dia 29", disse.

Sobre a deterioração da situação econômica, Lula disse que as contas públicas pioraram a partir de 2014 porque "a presidenta se deu conta de que o Orçamento tinha diminuído porque ela fez R$ 500 bilhões de desoneração". "De repente, a presidenta demorou ou não percebeu que estava entrando menos dinheiro no caixa e ela foi obrigada a fazer uma proposta de ajuste", disse. A proposta de ajuste foi encaminhada à Câmara.

"Ao invés de o presidente da Câmara (na época, Eduardo Cunha) colocar em votação, ele começou a apresentar pautas aumentando cada vez mais o gasto, contrário àquilo que a presidente deveria fazer", disse o ex-presidente. "Foi se perdendo a confiança. Os empresários não investiam, o Estado perdeu capacidade de investimento e nós chegamos a isso".

Questionado sobre a possibilidade de as investigações da Lava Jato culminarem em um pedido de prisão, Lula disse que "não tem medo de ser preso". "Tenho a consciência de que eles não têm acusação e da minha inocência. Vamos aguardar com a maior tranquilidade possível. Eu não sou o primeiro ser humano a ser vítima de um processo de calúnia e não serei o último", disse.

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