Luisa Dörr—VII Mentor Program for TIME
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'Tenho convicção de que consigo vencer', diz Dilma sobre impeachment à revista Time

A presidente afastada diz que está sendo julgada por um 'não-crime' e que o processo é misógino; ela ainda voltou a defender sua atuação para que a Olimpíada acontecesse e que Jogos serão um sucesso

Luciana Amaral, O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2016 | 11h34

A presidente afastada Dilma Rousseff afirmou que acredita conseguir evitar o impeachment no Senado em entrevista à revista norte-americana Time divulgada nesta quarta-feira, 27. Questionada se conseguirá os 27 votos necessários contra o processo no plenário, ela respondeu "lutei para isso... e tenho a convicção de que posso vencer".

"Estou sendo julgada por um não-crime. O que está acontecendo no Brasil não é um golpe militar, mas parlamentar. Está afetando as instituições, as erodindo por dentro, as contaminando. Então, eu acredito que essa luta requer uma arma. Vivemos em uma democracia e a respeitamos. A arma nessa luta é o debate, a explanação e o diálogo."

Na entrevista, ela voltou a defender a realização de um plebiscito para que o presidente que exercerá o mandato a partir de 2019 possa "comandar o País de uma forma melhor". Dilma também disse que o impeachment é misógino. "Quando uma mulher se torna a primeira presidente da República, abre espaço para uma avaliação da mulher que é muito estereotipada. De um lado são histéricas. De outro, insensível, fria e sem coração."

Crise econômica. A presidente afastada culpou a crise política por colocar o País em recessão, especialmente a partir do ano passado. À Time, falou ter tentado uma política a fim de prevenir que o pior da crise global chegasse. "Tivemos algum sucesso em 2011, 2012, 2013 e 2014."

Lava Jato. Sobre a importância da operação da Polícia Federal para o futuro do Brasil, Dilma desconversou e disse que o País não tem monopólio sobre a corrupção. "A batalha contra a corrupção não é só sobre uma investigação. Ela é feita pelo avanço das instituições de controle e da legislação." 

Olimpíada. A petista voltou a dizer que não vai à cerimônia de abertura por ter sido convidada em uma posição "injusta (...) muito secundária, que não condiz com o seu status presidencial".  "Fui eleita com 54,4 milhões de votos."

Em relação à segurança, disse que a estrutura não foi "construída ontem nem anteontem" e passou por testes, como a Copa do Mundo em 2014. "Eu quero dizer para você que os Jogos estão perfeitamente organizados para serem um sucesso. Eu falo isso pela contribuição que o meu governo para a realização deles. Espero que o governo provisório e interino dê continuidade a tudo o que está montado."

Ela ainda ressaltou que o vírus da zika não deverá ser um problema, pois haverá menos mosquitos carregando a doença devido a temperaturas mais baixas.

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