Tendências: Em mandato, Dilma buscaria nova identidade

A presidente Dilma Rousseff terá o desafio de criar uma identidade diferente para um possível novo governo, mas seu eventual segundo mandato representaria continuidade na política econômica, segundo relatório da Tendências Consultoria Integrada. Na avaliação dos cientistas políticos Rafael Cortez e Alessandra Ribeiro, que assinam o documento, os custos políticos para um ajuste mais forte no atual modelo são bastante elevados e, por isso, a base das decisões de política econômica deve permanecer a mesma, mantendo o papel central do Estado no estímulo ao crescimento.

STEFÂNIA AKEL, Estadão Conteúdo

04 de agosto de 2014 | 13h46

Para os analistas, Dilma deve manter políticas que são características do seu governo, como as desonerações setoriais, o estímulo ao crédito e a preferência por produtos domésticos nas compras do governo. Dessa forma, a presidente não interferiria no discurso de inclusão social e do combate à desigualdade, que é o principal ponto da identidade petista, diz o relatório.

Os investimentos em infraestrutura também devem continuar, segundo a consultoria. "O aprendizado envolvido nas últimas licitações, em conjunto com os resultados positivos obtidos, de fato, deve conduzir a presidente Dilma a ampliar o programa de concessões", afirma.

O relatório aponta que não há sinais de necessidade de ajustes da política macroeconômica no plano de governo do PT, apesar de o documento destacar que um eventual novo mandato da presidente Dilma seria caracterizado como um novo ciclo de mudanças para o País. Esse novo ciclo seria baseado em três pilares: solidez econômica, amplitude das políticas sociais e competitividade produtiva - este último sendo colocado como um novo pilar.

"O documento não traz sinais sobre a necessidade de ajustes da política macroeconômica, ainda que ressalte o objetivo de fortalecimento da mesma", avaliam os analistas. Para a consultoria, ajustes marginais na política macroeconômica não viriam da convicção sobre a necessidade de mudança, mas de restrições como a inflação acima do teto da meta e o risco de perda do grau de investimento, que poderiam levar a novos apertos na política monetária e certos ajustes nas contas públicas.

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