Temporão quer fim de anúncios de remédios em crise da dengue

O Ministério da Saúde pretendesuspender a propaganda de alguns medicamentos com a intenção dediminuir a automedicação em meio à epidemia de dengue no Estadodo Rio de Janeiro, disse o ministro José Gomes Temporão nestasexta-feira. Temporão afirmou que pediu à Agência Nacional de VigilânciaSanitária (Anvisa) que entrasse em contato com os laboratóriosfabricantes de medicamentos com a substância paracetamol e deremédios contra-indicados para casos de dengue para solicitarque suspendam a publicidade "voluntariamente". "O que eu fico preocupado é que nesse momento fiquepassando na televisão e no rádio propaganda de remédio. Issonão é hora de propaganda, é hora de procurar o médico",declarou Temporão a jornalistas. Após participar de um debate sobre a doença comrepresentantes da sociedade civil na Universidade do Estado doRio de Janeiro, Temporão explicou que o problema com oparacetamol é a automedicação, e não o uso do medicamentoquando indicado por médicos. "Esse medicamento (paracetamol) usado de maneirainadequada, em dose excessiva em crianças ou adultos, podelevar a grandes danos hepáticos", afirmou o ministro. O pedido do Ministério é para que os laboratórios utilizemseus horários comerciais para alertar a população sobre adoença. Em seu protocolo para os médicos envolvidos no tratamentode pacientes com dengue, o próprio Ministério da Saúderecomenda o uso dos medicamentos paracetamol e dipirona paracombater os sintomas de febre e dores no corpo, e faz um alertapara que salicilatos e antiinflamatórios não hormonais sejamevitados. Desde o início da crise de dengue, que já matou 67 pessoasno Estado este ano em mais de 57 mil casos, o paracetamol vemsendo entregue aos doentes nos postos de atendimento. De acordo com Temporão, o risco decorre apenas do usoexagerado e sem orientação médica. O ministro informou que amedida é preventiva, após a constatação de casos suspeitos. "Se a pessoa tomar por conta própria uma dose excessiva,pode, em vez de resolver o problema, causar outro tão gravequanto a dengue", disse ele. A Anvisa emitiu comunicado no final da tarde informando quesolicitou à Associação Brasileira da Indústria de MedicamentosIsentos de Prescrição (Abimip) que oriente os fabricantes deanalgésicos para a necessidade de suspensão temporária dapropaganda desses medicamentos. Segundo a agência, "o uso desses medicamentos pode retardaros sintomas da dengue, dificultando o diagnóstico e atrasando otratamento da doença". GUIAS CONTRA DENGUE Temporão esteve no Rio de Janeiro para a inauguração demais uma tenda de hidratação do governo do Estado parapacientes com dengue. As tendas foram uma alternativa criadapelo Estado para tentar diminuir a superlotação dos hospitais. Na capital fluminense, os 37.908 casos de dengueregistrados até o momento este ano já superam os 25.107 casosde todo o ano passado. O governador Sérgio Cabral, também presente ao evento,anunciou mais duas medidas para tentar conter a doença. A maisurgente será o recrutamento de 4.000 jovens que atuaram nosJogos Pan-Americanos do ano passado como guias cívicos,formados em um programa social do governo federal. Os guias, na maioria moradores de comunidades carentes,passarão por um treinamento e vão trabalhar no combate a focosde criação do mosquito "Aedes aegypti". "São jovens capacitados para o exercício do trabalhocidadão. Eles vão passar por um treinamento técnico e nós vamoscolocá-los a serviço do combate à dengue", disse o governador. O segundo plano anunciado por Cabral é a realização de umconcurso público para a contratação de 3.500 soldados para ocorpo de bombeiros. O governador não informou quando serárealizada a seleção. Cerca de 1.200 bombeiros já atuam nocombate à dengue no Estado. Segundo Cabral, a participação da corporação "foiresponsável por impedir um número ainda maior de casos e óbitosdecorrentes da dengue".

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