Temporão prega necessidade de mais recursos à Saúde

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu a necessidade de mais recursos para o setor e rebateu os argumentos, os quais classificou como "ladainha" e "lengalenga", de quem alega que o que falta ao setor é uma gestão melhor. Nas últimas semanas, cresceu a discussão sobre a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para financiar a Saúde, que, segundo Temporão, precisa de algo em torno de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões.

TÂNIA MONTEIRO, ENVIADA ESPECIAL, Agência Estado

09 de novembro de 2010 | 11h51

Para o ministro, "existem algumas vozes, para mim, minoritárias, e isso é positivo, que vêm com a velha ladainha, lengalenga, de que a saúde precisa de mais gestão". E prosseguiu: "Acho esse argumento desmoralizante. Ele não se sustenta. Quem fala isso, fala de cima de seus magníficos planos de saúde e acha que o povo tem que ter uma saúde de segunda categoria."

Temporão condenou os desvios ocorridos no passado com os recursos da CPMF para fazer superávit primário pela área econômica e tapar outros buracos do Orçamento. "Qualquer solução que venha a ser implementada tem que romper radicalmente com o que aconteceu com a CPMF, onde foi vendida à sociedade brasileira uma solução para o financiamento e se revelou que essa solução não resolveu absolutamente nada. Os recursos foram desviados", declarou o ministro, que está em Maputo, acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem oficial a Moçambique.

O importante, na opinião do ministro, é que a sociedade neste momento voltou a discutir a necessidade de haver novos recursos para o setor de Saúde. Ele acha também que o Congresso, ao estabelecer novas fontes de financiamento, tem de estar atento para não deixar brechas que permitam que os recursos sejam desviados para outras áreas, como aconteceu no passado.

"Essa é uma discussão legítima e justa. Tem gente que é radicalmente contra a criação de um novo imposto; gente que é a favor. O que eu defendo é que isso seja debatido de maneira bastante ampla pela sociedade brasileira. O que não podemos é correr o risco de manter a Saúde como está e alegar que precisa de mais gestão", afirmou.

Questionado se não seria um problema de gestão, seja da área econômica, da Fazenda, que desviou os recursos para cobrir outras despesas, o ministro disse: "O que nós queremos para o SUS (Sistema Único de Saúde) é que seja universal, de qualidade, que possa atender a todos que queiram utilizar este sistema. Para isso, não tem jeito. Tem que botar mais dinheiro, e não é pouco. Não estamos falando de mais R$ 10 bilhões. Estamos falando de mais R$ 50 bilhões, R$ 60 bilhões, para resolver o problema da Saúde. Essa é a equação que tem que ser enfrentada pela sociedade, pelo novo Congresso Nacional e pela nova presidente (eleita), Dilma Rousseff."

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