''Temporão fica'', diz Lula, que só muda time em 2010

Em recado ao PMDB, presidente garante permanência de ministro da Saúde

Leonencio Nossa e Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 00h00

Em recado para o PMDB, interessado em mais espaço na Esplanada, e a grupos petistas derrotados nas eleições municipais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que seu ministério não muda até abril de 2010, quando os ministros candidatos se desincompatibilizarão para concorrer a cargos eletivos. Numa entrevista no Itamaraty, Lula afirmou, de forma enfática, que José Gomes Temporão permanecerá na pasta da Saúde. "O Temporão é meu ministro. Ele fica", ressaltou. "Não existe (troca). Agora, eu quero dizer o seguinte: ministros, daqui para frente, só sairão os que quiserem deixar a pasta ou serem candidatos." Nos últimos dias, Temporão voltou a receber críticas de setores do próprio PMDB, que não o vêem como um nome do partido. O motivo para os recentes ataques foram as declarações do ministro, dadas na semana passada, quando acusou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) de ineficiência e envolvimento em corrupção. A bancada peemedebista, que indicou Danilo Forte para a presidência da Funasa, ficou irritada. O órgão atende aos interesses de prefeitos e deputados do PMDB, especialmente nos grotões do País.As declarações de Lula também foram um recado a aliados da candidata derrotada à prefeitura paulistana e ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, que sonhavam com a volta dela ao governo. Pessoas próximas do presidente dizem, entretanto, que não enxergam uma movimentação direta da petista para voltar à Esplanada. Lula minimizou as queixas do PMDB e o apetite da sigla por mais cargos no governo. Ele avaliou que a relação com o partido é "a melhor possível" e avisou que planeja um jantar com ministros e líderes peemedebistas, ainda sem data definida. "É para a gente afinar a viola para as coisas que precisamos fazer até 2010", disse. "O PMDB tem prestado um serviço importante para as pastas que dirige", completou.Anteontem, em São Paulo, dirigentes do PMDB procuraram Lula para deixar claro que as críticas a Temporão não partiam da cúpula, mas da bancada da sigla na Câmara. Embora não considerem Temporão um ministro afinado com os interesses do partido, os dirigentes não querem sua saída. O terceiro ministro da Saúde do governo Lula foi indicado pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). O temor da cúpula peemedebista é que o ministério volte para as mãos do PT. Ao assumir, em 2003, Lula nomeou para a pasta o petista Humberto Costa. Dois anos depois, ele foi substituído pelo deputado do PMDB, Saraiva Felipe, que ficou no cargo até 2007.No governo Lula, a pasta da Saúde sempre esteve marcada por nomes inexpressivos na política, ineficiência da rede de saúde e escândalos - como as máfias dos sanguessugas, que fraudava licitações, e dos vampiros, de compra superfaturada de remédios e hemoderivados. Os dois esquemas vieram à tona com operações da Polícia Federal, mas já existiam no governo anterior.Lula evitou também dar "palpites" na disputa pelo comando da Câmara e Senado e comentar as pretensões do PMDB em liderar as duas casas. "Não é que não me preocupe. É que eu não posso dar palpite num problema que é do Congresso Nacional. O presidente da República não pode ficar dizendo quem tem que ser presidente da Câmara ou do Senado", disse.

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