Temporão e governador de AL são vaiados ao inaugurar hospital

Cerimônia seria no estacionamento, mas foi transferida para dentro do hospital por causa dos manifestantes

RICARDO RODRIGUES, Agencia Estado

16 de setembro de 2008 | 14h31

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), inauguraram nesta terça-feira, 16, debaixo de vaias, o Hospital Geral do Estado Professor Osvaldo Brandão Vilela (HGE), construído com recursos do governo federal e do Estado. A cerimônia de inauguração seria no estacionamento, mas foi transferida para dentro do hospital por causa dos manifestantes - estudantes da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) e servidores do Movimento Unificado da Saúde, que portavam faixas, cartazes, apitos e gritavam palavras de ordem.Na chegada, o governador disse que recebia as vaias como crítica e homenagem. "Vejo como crítica porque os manifestantes têm suas razões e me levam a refletir sobre elas, e como uma homenagem ao ''velho'' Teotônio Vilela, meu pai, que lutou muito para que as pessoas tivessem direito à liberdade de manifestação neste País. Por isso, eu vejo as vaias com uma manifestação legítima dentro do processo democrático." No seu discurso, o governador voltou a se referir às vaias e após a solenidade, disse que só ficou com raiva porque "vaiaram até o Hino Nacional e a oração do ''Pai Nosso''".O ministro Temporão achou "estranho" uma manifestação de protesto durante a cerimônia de entrega de uma obra tão importante, um hospital geral com 410 leitos, que custou R$ 20 milhões, sendo R$ 15 milhões em obras e R$ 5 milhões em equipamentos. Desses recursos, Alagoas entrou com R$ 6,7 milhões e o Ministério da Saúde, com R$ 14,2 milhões, dos quais ainda falta repassar cerca de R$ 2 milhões. "Por isso, para mim Alagoas merece aplausos e não vaias." Segundo Temporão, o Ministério da Saúde tem prioridades. Uma delas, disse, é a Emenda Constitucional 29, que trata do repasse de recursos para a saúde. "O Brasil precisa de uma saúde mais eficiente e nós estipulamos metas para os governos para que possamos avançar", afirmou. O ministro disse que tem um carinho enorme por Alagoas e lembrou que passou uma temporada em Maceió no ano de 1980, quando lecionou pela Fundação Oswaldo Cruz.CobrançasApesar do discurso otimista do governador - que se referiu a R$ 10 bilhões em investimentos públicos e provados nos próximos dois anos ao Estado -, os manifestantes não pararam de protestar. Eles cobravam mais recursos para a saúde e mudanças na direção da Uncisal, que ficou em último lugar na avaliação do Ministério da Educação (MEC), sobre o desempenho das universidades brasileiras.

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