Temporão defende necessidade de mais recursos para Saúde

Em visita a Moçambique, o ministro da Saúde rebateu as criticas à sua gestão na pasta

Tânia Monteiro, enviada especial de O Estado de S.Paulo,

09 de novembro de 2010 | 12h15

MAPUTO (Moçambique), 9 - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu a necessidade de mais recursos para o setor e rebateu os argumentos, que chamou de "ladainha" e "lenga-lenga", de quem alega que o que falta ao setor é uma gestão melhor. Nas últimas semanas, cresceu a discussão sobre a volta da CPMF para financiar a saúde que, segundo Temporão, precisa de algo em torno de R$ 50 ou R$ 60 bilhões.

 

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Para o ministro, "existem algumas vozes, para mim, minoritárias, e isso é positivo, que vêm com a velha ladainha, lenga-lenga, de que a saúde precisa de mais gestão". E prosseguiu: "Acho esse argumento desmoralizante. Ele não se sustenta. Quem fala isso fala de cima de seus magníficos planos de saúde e acha que o povo tem que ter uma saúde de segunda categoria."

 

Temporão condenou os desvios ocorridos no passado com os recursos da CPMF, para fazer superávit primário pela área econômica e tapar outros buracos do orçamento. "Qualquer solução que venha a ser implementada tem que romper radicalmente com o que aconteceu com a CPMF, onde foi vendida à sociedade brasileira uma solução para o financiamento e se revelou que essa solução não resolveu absolutamente nada. Os recursos foram desviados", declarou o ministro, que está em Maputo, acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagem oficial a Moçambique.

 

O importante, na opinião do Temporão, é que a sociedade, neste momento, voltou a discutir a necessidade de existirem novos recursos para o setor de saúde. Ele acha também que o Congresso, ao estabelecer novas fontes de financiamento, tem de estar atento para não deixar brechas que permitam que os recursos sejam desviados para outras áreas, como aconteceu no passado. "Essa é uma discussão legítima e justa. Tem gente que é radicalmente contra a criação de um novo imposto; gente que é a favor. O que eu defendo é que isso seja debatido de maneira bastante ampla pela sociedade brasileira. O que não podemos é correr o risco de manter a saúde como está e alegar que precisa de mais gestão", disse.

 

Questionado se não seria um problema de gestão sim, seja da área econômica, da Fazenda, que desviou os recursos para cobrir outras despesas, o ministro afirmou: "O que nós queremos para o SUS é que seja universal, de qualidade, que possa atender a todos que queiram utilizar este sistema. Para isso, não tem jeito. Tem que botar mais dinheiro, e não é pouco. Não estamos falando de mais R$ 10 bilhões. Estamos falando de mais R$ 50 bilhões, R$ 60 bilhões, pra resolver o problema da saúde. Essa é a equação que tem que ser enfrentada pela sociedade, pelo novo Congresso Nacional e pela nova presidente (eleita) Dilma Rousseff".

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