Temporão afirma que 'subfinanciamento' justifica nova CPMF

Para ministro, falta de verba pode criar 'apartheid' entre quem tem e quem não tem plano de Saúde

Daniela Milanese, da Agência Estado,

25 de setembro de 2009 | 10h37

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta sexta-feira, 25, que o sistema público de saúde brasileiro está asfixiado por um problema de subfinanciamento crônico, o que justificaria a criação de uma "nova CPMF", a Contribuição Social para a Saúde (CSS). "Corremos o risco de criar um novo apartheid social no Brasil, agora na área de saúde", defendeu o ministro

 

O ministro admite que há muita polêmica sobre a criação de um novo imposto. No entanto, ele não quis entrar em avaliações sobre a viabilidade política de aprovação da nova CPMF. "Vamos ter de enfrentar as discussões", disse Temporão, que está em Londres com uma missão de representantes do setor da saúde.

 

Segundo o ministro, a tese de que o problema da saúde pública no Brasil é de gestão, e não de financiamento, está equivocada. Temporão exemplificou: enquanto o sistema público gasta em média R$ 650 por ano por paciente, a despesa no setor privado é de R$ 1.470.

 

Além disso, os seguros de saúde privados contam com subsídios de R$ 10 bilhões por ano, por meio do abatimento fiscal permitido às famílias que possuem planos. Conforme Temporão, outros R$ 2,5 bilhões anuais saem do governo para subsidiar os gastos dos funcionários públicos com saúde. "Só aí, já são R$ 12,5 bilhões que saem do poder público para financiar uma parcela restrita."

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