Tempo é curto para desmentir boatos sobre Dilma, dizem líderes evangélicos

'Achamos que não daria tempo para contaminar o eleitor, mas foi muito rápido', afirmou pastor

Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado

13 de outubro de 2010 | 18h46

BRASÍLIA - Líderes evangélicos que se reuniram com Dilma Rousseff (PT) nessa quarta-feira, 13, apontaram a "falta de tempo" para debelar a onda de boatos contra ela como o maior obstáculo à vitória. Eles contestam o Datafolha, para quem as denúncias contra a ex-ministra Erenice Guerra e a quebra de sigilo de tucanos tiveram peso quase três vezes maior na perda de votos de Dilma que as questões religiosas.

 

Uma dessas lideranças afirma que os boatos de que Dilma seria favorável ao aborto e à união civil entre homossexuais foram os verdadeiros responsáveis pelo segundo turno.

 

"O fogo estava lá queimando e não percebemos", lamenta o Pastor Manoel Ferreira (PR-RJ), um dos líderes da Assembleia de Deus, que possui mais de 20 milhões de fiéis em todo o País. "Achamos que não daria tempo para contaminar o eleitor, mas foi muito rápido. Agora não sei se vai dar tempo de desconstruir tudo isso", afirma, sobre a boataria que se alastrou na internet e nas igrejas, por meio de panfletos e cartazes.

 

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ligado à igreja Sara Nossa Terra no Rio de Janeiro, também teme que o tempo seja curto para desmentir as mentiras sobre a petista. Segundo ele, a verdade sobre a candidata chega aos fiéis somente pelo testemunho dos líderes religiosos. "O posicionamento dela satisfaz os líderes, mas falta contundência para atingir a base. É pouco para desmontar os boatos. Não sabemos se dá tempo de chegarmos à base", receia.

 

A palavra de ordem agora é correr contra o tempo. Os líderes evangélicos aguardam a carta-compromisso em que a candidata deve se declarar, de forma veemente, contra o aborto e a união civil entre homossexuais. A expectativa é de que o documento tenha impacto igual ou próximo à "Carta ao Povo Brasileiro", que diluiu dúvidas sobre o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva e ajudou-o a se eleger em 2002.

 

"Mas tem que ficar pronto amanhã ou depois, senão não dá tempo de distribuir", alerta Manoel Ferreira. O objetivo é divulgar a carta nas igrejas de todo o País, durante os cultos, entre os fiéis. Não há garantias, entretanto, de que a estratégia surtirá efeito em tempo hábil. Um pastor lembra que uma mentira se espalha rapidamente, enquanto leva tempo até que a verdade prevaleça.

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