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Luis Macedo/Agência Câmara
Luis Macedo/Agência Câmara

'Temos que trabalhar mais para pôr água na fervura do que para botar querosene', diz Lira

Presidente da Câmara afirma que não faz impeachment sozinho e aposta em reunião entre os Poderes, nesta semana, para aparar arestas

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 18h21

BRASÍLIA - Pressionado a abrir um processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que esta é uma “decisão política”, que não depende apenas dele. 

“Neste momento, temos que trabalhar mais para pôr água na fervura do que para botar querosene”, afirmou Lira.

O presidente da Câmara voltou a dizer que não vê “materialidade” nos mais de 100 pedidos protocolados na Casa, nem ambiente político para a abertura de um processo de impedimento de Bolsonaro. Ao ser questionado por que, neste caso, simplesmente não indefere os pedidos, Lira respondeu: “Esta é uma decisão política”. 

“Não posso fazer esse impeachment sozinho. Erra quem pensa que a responsabilidade é só minha. Ela é uma somatória de características que não se configuram, algo que é dito por mim, pelo presidente do DEM ACM Neto, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, para citar alguns”, insistiu o presidente da Câmara.

Apesar afirmar que não pode fazer um impeachment sozinho, a decisão de dar andamento ao processo cabe exclusivamente ao presidente da Câmara. 

Lira contou que fala diariamente por telefone com o presidente do Supremo, Luiz Fux. O ministro conversou com Bolsonaro anteontem e pediu a ele que respeitasse os “limites da Constituição”. Fux sugeriu uma reunião entre os Poderes, que deve ocorrer hoje, na tentativa de promover uma conciliação. Nos últimos dias, Bolsonaro ameaçou impedir as eleições de 2022, caso não seja adotado o modelo do voto impresso. Após a reunião com Fux, adotou tom mais moderado.

“Nós estamos falando diariamente pelo telefone, de sexta-feira para cá, com todos os envolvidos. O presidente Fux me ligou ontem (segunda). Parece que a reunião (entre os Poderes) ficou para amanhã (quarta-feira), às 9 horas”, afirmou Lira. “Isso é normal e salutar. É conversando que as coisas se adequam”.

Apesar das declarações de Lira de que não pode fazer um impeachment sozinho, a decisão de dar andamento ao processo cabe exclusivamente ao presidente da Câmara. Para afastar Bolsonaro, seriam necessários, no mínimo, 342 votos no plenário. Embora o presidente esteja perdendo popularidade, o cenário é hoje considerado improvável, pois ele ainda tem o apoio do Centrão.

Lira disse que o País precisa se “acostumar” ao processo democrático e assegurou a realização de eleições em 2022, embora Bolsonaro tenha afirmado que sem o voto impresso a disputa será “fraudável”. O voto impresso é uma das principais bandeiras políticas do presidente, que levanta dúvidas sobre a validade da urna eletrônica sem apresentar qualquer prova de fraude.

“Quando eu parto para defender eleição, quando se estava contestando eleição, a manchete que vem é ‘Arthur não vai pautar o impeachment’. Isso não pode ser via de regra. Daí a possibilidade que hoje, inclusive, foi muito bem aceita a discussão de se votar um semipresidencialismo já para 2026, como forma de se estabilizar mais o processo político dentro do Congresso Nacional”, argumentou o presidente da Câmara.

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