Pedro H Tesch/Brazil Photo Press
Pedro H Tesch/Brazil Photo Press

Temos que dialogar até cansar, afirma Dilma ao MST

No Sul, diante de plateia formada por integrantes de movimentos sociais, presidente repete compromisso de falar com todos e, em defesa à política econômica, diz que dificuldade atual é 'passageira'

Ricardo Chapola, enviado especial, e Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S. Paulo

20 de março de 2015 | 14h21

Alterado às 15h58


Porto Alegre - Em queda nas pesquisas de popularidade, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira, 20, que quer manter diálogo com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). Para ela, "é preciso dialogar até cansar".

Em evento promovido pelo MST na região metropolitana de Porto Alegre, Dilma foi aclamada pelos militantes e não deu sinais claros, durante seu discurso, de que dará prioridade à reforma agrária durante. O movimento acusa o governo de ter sido o "pior da história" no tratamento sobre o tema. O MST tem sido um dos movimentos que tem liderado atos de apoio ao governo federal. Eles pretendem novas manifestações em 7 de abril. O aceno ao diálogo feito por Dilma, já prometido durante a campanha eleitoral, voltou a fazer parte dos discursos da presidente após os protestos de domingo, 15, contra o governo federal. 

"Ninguém tem de concordar com ninguém em tudo. Não estou aqui pedindo para concordarem com tudo que o governo faz. Mas queremos diálogo, muito diálogo. Sugestões. Nós queremos que vocês digam para nós o que está dando certo e o que não está. Só assim se aperfeiçoa", afirmou Dilma em seu discurso durante a inauguração de uma unidade de secagem e armazenagem de grãos pertencente a um assentamento do MST, localizada na cidade de Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre.

"Uma parte muito importante do que foi construído é fruto de a gente ter dialogado. O que nós temos de fazer é dialogar até cansar".

Os gestos de reaproximação de Dilma com o MST ocorrem pouco depois que o ex-presidente Lula entrar em campo para levar a ela o recado de João Pedro Stédile, um dos líderes do movimento, que afirmou que o MST "iria por o exército nas ruas" para defender o governo. Também presente no evento, Stédile, que dividiu o palanque com a presidente, fez uma série de cobranças ao governo. Segundo ele, não dá para fazer ajustes econômicos "apenas cortando gastos sociais".

"Quem tem que pagar a conta não são os trabalhadores. São os ricos e os milionários". Com críticas ao BNDES, a Conab e ao Incra, Stédile afirmou ainda que a presidente precisa colocar no comando dessas instituições pessoas de sua confiança. "O Incra virou uma tapera velha. Não dá para continuar assim. (ao escolher nomes) não olhe para partidos, que entram, lá para fazer sua "cotinha medíocre".

Depois, em coletiva de imprensa, Dilma afirmou ter entendido as cobranças feitas por Stédile como "sugestões". "Stédile deu sugestões. Ele tem a concepção dele. E eu tenho a minha", afirmou.

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