Suamy Beydoun/AGIF/Pagos
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Lula diz que PT deve 'consertar erros' e voltar a 'despertar esperança'

Em cerimônia de lançamento do congresso nacional do partido, ex-presidente falou sobre orçamento e reformulação da singla

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2017 | 23h20

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 19, que o PT não deve voltar a ser simplesmente um partido de oposição. Durante cerimônia de lançamento do congresso nacional do partido, em São Paulo, Lula disse que vai se dedicar neste ano a limpar e reconstruir a imagem do PT.  

"Isso é muito bom para partidos que têm quatro deputados (...), não para um partido que governa Estados importantes, um partido com a bancada que temos no Senado e na Câmara e que ensinou o País a fazer administração pública nas prefeituras", disse Lula em discurso.

Presidente de honra da sigla, Lula cobrou que o partido dedique "tempo extraordinário" na elaboração de um programa de governo que conquiste a confiança da sociedade, pediu que os dirigentes petistas voltem a rodar o País e estabeleceu uma meta para 2017: recuperar a imagem do PT - tarefa a qual promete se dedicar de "corpo e alma".

Também aproveitou o evento para rebater acusações de corrupção. "Quem fala com vocês já tem cinco inquéritos. Não sei se tem mais, mas eu quero que eles provem um real na minha conta", desafiou. "Nenhum partido fez mais pela transparência do que nós(...) Tenho muito orgulho de nossa história", acrescentou.

Lula defendeu ainda que o PT faça uma reflexão interna e corrija seus erros para reconquistar a confiança da sociedade. Ele também reconheceu que a derrota nas últimas eleições exige do partido uma reflexão profunda, no sentido de que erros sejam corrigidos para que a sigla volte a despertar a esperança das pessoas.

"Se a gente não decidir o que fazer, podemos jogar por terra a esperança que a sociedade ainda deposita no PT", afirmou. O presidente de honra do partido considerou ainda que o impeachment de Dilma Rousseff, tratado no evento como "golpe", não foi decorrência apenas da atuação de opositores, mas também de falta de visão do que estava sendo feito pelo último governo petista.

"Em tempo de vitória, não lembramos dos erros que cometemos", afirmou. Lula pediu para que o partido volte a fortalecer os laços com os movimentos sociais e cobrou uma relação cotidiana com o povo, não apenas em época eleitoral.

"O que me preocupa é saber se seremos capazes de aproveitar o congresso para que corações e mentes voltem a ter no PT a esperança que tiveram em outro momento", disse o ex-presidente, antes de considerar que, com um novo comportamento, seu partido pode voltar a ser exemplo de ética. 

Economia. Ao lado de políticos e militantes da sigla, ele cobrou uma discussão sobre os benefícios do aumento do salário mínimo e defendeu que "bancos públicos voltem a ser bancos públicos", ao cobrar maior participação das instituições financeiras estatais no financiamento dos agentes econômicos, assim como na redução dos juros. "O BNDES tem que voltar a fazer investimento", afirmou.

"Se quisermos resolver a economia, só tem uma saída: incluir as camadas mais pobres no orçamento da União", frisou Lula em discurso que durou mais de meia hora.

Ele acrescentou que, embora não queira ver prejuízo nesses bancos, o Banco do Brasil e a Caixa não devem competir em rentabilidade com concorrentes privados. Antes de também defender, se necessário, o uso de parte das reservas internacionais em investimentos de infraestrutura, Lula rebateu críticas contra a politica econômica orientada ao consumo da época em que governou o País. "Se alguém apresentar segmento empresarial que for fazer investimento e não tiver consumo, eu retiro o que estou dizendo", desafiou.  

Num discurso de defesa do papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico, o ex-presidente também defendeu que, se necessário, o governo deve aumentar o endividamento público.

Ao abrir a cerimônia de lançamento do sexto congresso nacional do PT, o presidente de honra do partido defendeu também o uso de reservas internacionais nos investimentos em infraestrutura, maior participação dos bancos estatais na redução dos juros e o uso de depósitos compulsórios no financiamento do desenvolvimento industrial.

Segundo Lula, o Estado pode se endividar se isso significar aumento de ativos produtivos, citando, como exemplos, países desenvolvidos que elevaram a dívida pública - entre eles, Estados Unidos, Japão e Alemanha. "Aqui no Brasil, fizeram a opção de fazer o ajuste em cima de quem não deveria ter o ajuste, que é o povo trabalhador", exclamou o ex-presidente, ao criticar o programa de reequilíbrio fiscal do governo Temer.

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