Temos de chegar a uma taxa de juro real de 6% ao ano, diz Dirceu

O ministro da Casa Civil, José Dirceu, fez o mais forte discurso político desde a crise do Caso Waldomiro Diniz. Dirceu criticou o sistema financeiro, pediu a redução da taxa de juros e admitiu a insatisfação do governo - inclusive do presidente Lula - com a atual situação do País. Ao encerrar um seminário promovido pelo Partido Progressista (PP), que faz parte da base de sustentação do governo no Congresso, Dirceu afirmou que a dívida interna brasileira inviabiliza os investimentos produtivos no País. Segundo ele, quando o governo discute com bancos e investidores o retorno de possíveis investimentos em infra-estrutura, é natural um contraponto com o retorno obtido pelos títulos públicos. "Esse cálculo independe da ideologia das instituições", disse Dirceu, ponderando que os bancos têm de responder aos acionistas e os fundos a seus cotistas. "Vivemos uma situação esdrúxula. Apesar da demanda por investimentos voltados para a exportação do agronegócio, os investimentos em infra-estrutura, nem públicos nem privados, não acontecem e isso está ligado à questão dos juros", acrescentou. O ministro disse que o País precisa reduzir de maneira "lenta, gradual e segura" a taxa de juros real para 6% ao ano. Só assim, segundo ele, o governo teria capacidade de fazer investimentos em setores que a iniciativa privada só faz após a presença do Estado. Dirceu fez uma referência explícita aos recursos que são destinados ao serviço da dívida, segundo ele o próprio superávit fiscal que o governo produz, como principal obstáculo para os investimentos públicos e privados. De acordo com ele, o ideal seria que o governo investisse 3% do PIB ou R$ 45 bilhões ao ano em obras públicas. Mas neste ano, esse valor será de apenas R$ 12 bilhões, sendo que R$ 2,9 bilhões vêm do acordo com o FMI.

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