Temer volta a defender menos rigidez na meta inflacionária

O deputado Michel Temer voltou a insistir em sua tese de que é melhor um pouco de inflação do que a falta de crescimento econômico. Entrevistado no programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes, o deputado paulista, que é também presidente nacional do PMDB, afirmou que seu partido já não apoia com o mesmo entusiasmo a política econômica do governo Lula, mas que considera necessária e importante a permanência de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda. "Eu acho que o Palocci tem competência para mudar o rumo da economia, e acho que ele tem sensibilidade para isso." Sobre as críticas que vêm sendo feitas à forma como o PT vem governando o País, Temer disse que isso era uma obviedade. "Está todo dia na imprensa", justificou.Temer deixou claro que permanece como candidato à Prefeitura de São Paulo, voltando a descartar uma aliança com o PT para a reeleição de Marta Suplicy, ou até mesmo com a candidatura do tucano José Serra. Para ele, é muito difícil essa aliança, realçando que o PMDB já lançou seu nome como pré-candidato ao cargo. Sobre a declaração do presidente Lula neste final de semana, de que ainda confia numa coligação PT-PDMB na capital paulista, dando a entender que o partido pode abrir mão de uma "chapa pura", deixando a indicação do vice ao PMBD, Temer declarou: "Eu recebo esta formulação do presidente Lula, bem como (do desejo) do PSDB, como um elogio ao PMDB. Se todos querem, eleitoralmente, o PMDB, é porque o PMDB tem força, prestígio e, possivelmente, tem um candidato que possa fazer uma boa figura na eleição." Evitar riscos institucionaisO presidente nacional do PMDB explicou que o apoio de seu partido ao governo Lula não altera a conduta do partido, que considera indispensável o dever da crítica, como as que vem fazendo. "Ninguém quer uma crise institucional, e eu digo aqui, sem medo de errar, e vocês vão concordar comigo: hoje, se o PMDB deixar o governo, o governo vai ter dificuldades para governar." Explicou que, com isso, não estava dizendo que o País vive o risco de uma crise institucional, mas que todos devem procurar evitá-la. "Eu me pauto muito pela história constitucional brasileira. O Brasil, desde a Primeira República, foi assim: tinha 20, 30 anos de um sistema participativo, democrático; e 20, 30 anos de autoritarismo." Ele disse também que de 1891 a 1926, as constituições foram muito centralizadoras, desembocando na Revolução de 1930, com Getúlio permanecendo no poder até 1945, sob um regime autoritário. A partir daí, até 1964, vigorou a democracia, sucedida pelo regime militar que durou 21 anos. "As vezes eu fico preocupado com a idéia de que o Brasil possa entrar num desgoverno, e não estou dizendo que haja isso, por causa de uma conjunção que muitas vezes desfavorece o governo. Eu temo por isso."

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