Temer vai propor pacto para liquidar crise

Presidente da Câmara, licenciado do PMDB, agendou reunião com líderes para ?pacificar? o Senado

FAUSTO MACEDO e ANNE WARTH, DA AGÊNCIA ESTADO, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vai propor um pacto para tentar encerrar a crise no Senado. Presidente licenciado do PMDB, ele está articulando uma reunião para segunda ou terça-feira entre os líderes dos partidos na Casa e os presidentes das legendas. O objetivo, disse, não é colocar sujeira embaixo do tapete, mas "pacificar" o Senado."Eu proponho uma conversa, um diálogo. Não se faz política com discussões da natureza que estão começando a ocorrer. Política se faz com diálogo, com entendimento. E entendimento entre os partidos e entre os líderes", disse Temer, após participar de palestra sobre o pacto republicano e sua importância para o Judiciário e a sociedade, na sede do Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF-3), em São Paulo."Não se vai esconder nada nem esquecer de nenhum episódio", asseverou. "Apenas se deve encaminhar tecnicamente essa questão. Não se pode colocar uma exacerbação política, nem mesmo ideológica em relação a esse tema."Temer condenou o nível dos debates, como as discussões entre Pedro Simon (PMDB-RS) e Fernando Collor (PTB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Renan Calheiros (PMDB-AL). "O agravamento das discussões, a elevação do tom de voz e também o tom das palavras não colaboram com a instituição."ATOS SECRETOSTemer disse não concordar com a prática dos atos secretos do Senado, que beneficiaram parentes e aliados do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia. "Não, não concordo. Não há razão para isso, mas eu vejo que lá estão sendo tomadas providências para que essas coisas não ocorram e, se ocorreram, que ganhem punição."Temer disse ser contra a censura imposta ao Estado e ao site estadao.com.br, impedidos por decisão do desembargador Dácio Vieira (TJ-DF) de divulgar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, que teve como alvo o empresário Fernando Sarney, filho de Sarney. O parlamentar evitou entrar em polêmica com o presidente do Senado, disse que o pedido partiu do empresário e citou que, segundo Sarney, as gravações teriam sido fruto de montagem. "A censura não é útil. Na verdade, não foi um ato do presidente Sarney, foi um ato de um advogado que patrocina a causa de um de seus filhos que entendeu que aquilo não poderia ser objeto de divulgação. Aí está em pauta um outro valor, o valor da intimidade.""Eu não sei bem se é esse o caso, mas houve uma montagem. Pelo menos o presidente Sarney no discurso falou muito de uma montagem, de uma gravação. Agora, eu sou contra toda e qualquer espécie de censura", destacou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.