Temer vai para a disputa com Itamar

O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), anunciará na semana que vem que disputará com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, as prévias partidárias para a escolha do candidato peemedebista na corrida presidencial. É esta a principal estratégia dos governistas que comandam o PMDB para isolar o governador mineiro no partido. O presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, deixou seu posto de assessor especial da Presidência da República para dedicar-se à campanha de Temer."Saio do governo para ter liberdade de defender minhas posições e enfrentar o debate político, porque queremos derrotar Itamar no voto, e não com manobras ou rasteiras", resume Moreira. "A luta é esta e é uma luta aberta, porque ninguém quer que o Itamar leve o País para o Lula", completa o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), referindo-se à defesa que o governador fez da candidatura única dos partidos de oposição em 2002, interpretada pelo governistas do PMDB como um aceno de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva. O anúncio da candidatura Temer antes do feriado de 15 de novembro foi decidido na noite de quarta-feira, em reunião da cúpula peemedebista na casa do presidente do partido. A decisão do enfrentamento vem para envolver a militância do partido na luta interna, uma vez que o exército de peemedebistas em todo o País é o maior trunfo do partido nas eleições presidenciais. As pesquisas eleitorais de que dispõe o partido indicam que o PMDB é o segundo partido com cerca de 14% da preferência do eleitorado, seguido do PT, que conta com a simpatia de 20% dos eleitores.A maior dificuldade do grupo para manter o calendário da luta interna contra Itamar é o senador Pedro Simon (PMDB-RS). O senador criticou da tribuna a "radicalização" do governador mineiro, "de que vai ser oposição ou abrir guerra contra o PMDB". Mas ainda falta o principal: convencê-lo a desistir das prévias de 20 de janeiro, deixando que a disputa fique apenas entre Temer e o governador. A pressão pela desistência de Simon é grande, sobretudo neste momento em que denúncias de corrupção sobre o governo petista de Olívio Dutra abrem caminho para sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul. "Só se constrói a unidade política na luta política, e não em salões atapetados", diz Moreira Franco. Ele sustenta que não há saída fora das prévias porque, sem adversário, Itamar se tornaria candidato único e oficial do partido, que decidiu, em convenção, que teria candidato própria ao Planalto. "Como candidato único, ele que perde para o Lula até em Minas Gerais, passaria a ser o porta-voz do PMDB, e o partido não merece isto". A conquista da militância do partido em favor de Michel Temer não é a única estratégia do grupo decidido a esvaziar a candidatura do governador mineiro. A idéia é lançar Michel na disputa dentro de um movimento nacional, que deverá incluir um manifesto de parlamentares e governadores contra a candidatura de Itamar. Eles vão insistir na tese de que o governador mineiro é um "nômade partidário", sem compromisso com o PMDB, e que quer levar o partido a apoiar o PT na corrida presidencial, quando os aliados tradicionais do partido estão em outro campo. E para deixar claro que a saída de Moreira Franco do Planalto não significa um desembarque do PMDB do governo, setores do partido já trabalham para emplacar o sucessor do ministro Eliseu Padilha (PMDB) no ministério dos Transportes. A idéia é a de que o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), indique o novo ministro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.