Temer vai ao Senado em busca de apoio ao 'distritão'

O vice-presidente da República, Michel Temer, foi hoje ao Congresso a fim de se reunir com a bancada de senadores do PMDB para discutir a reforma política. Temer é um dos principais articuladores da adoção do chamado "distritão" - voto majoritário para deputados federais - nas próximas eleições.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

23 de março de 2011 | 18h15

"O distritão é uma meditação minha, baseada na Constituição Federal, que estabelece que todo poder emana do povo", explicou o vice-presidente. "Governa quem tem mais voto", resumiu. A proposta de Temer, que ontem teve o mandato de presidente do PMDB prorrogado até 2013, ainda não foi encampada pelo partido. Parlamentares, governadores e filiados ainda se dividem quanto ao melhor sistema eleitoral.

No entanto, a proposta tem o apoio das principais lideranças da sigla. O líder da bancada, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que o "PMDB caminha para apoiar o voto majoritário (distritão)". Se a proposta avançar e, eventualmente, for aprovada pelo Congresso, poderia ser aplicada já nas eleições municipais de 2012, como desejam os seus defensores. Nesta hipótese, seriam eleitos os vereadores mais votados conforme o número de vagas, sem aplicação do coeficiente eleitoral.

Temer usou o exemplo de São Paulo, que tem 70 vagas para deputado federal na Câmara, para explicar como funcionaria o "distritão". "Seriam eleitos os 70 mais votados. Não ocorreriam casos como um deputado que alcançou mais de 100 mil votos e não se elegeu, enquanto outro com 200 votos se elege. O povo compreenderá o distritão com muita tranquilidade", afirmou.

Ao final da reunião com Temer, dois peemedebistas, Roberto Requião (PR) e Luiz Henrique (SC), mantiveram as posições contrárias ao distritão. No entanto, a senadora Ana Amélia (PP-RS), que ontem votou contra esse sistema na comissão especial da reforma política, se declarou convencida por Temer a apoiar o distritão. O PP faz parte do bloco liderando pelo PMDB no Senado. O presidente do PP e líder da comissão de reforma política, Francisco Dornelles (RJ), também apoia esse sistema.

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