Temer vai à Europa para mostrar normalidade

Em viagem à Rússia e à Noruega na próxima semana, presidente quer passar imagem de que o ‘País não está parado’

Idiana Tomazelli e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2017 | 03h00

BRASÍLIA - Em meio à crise política agravada pela delação de empresários da JBS, o presidente Michel Temer decidiu manter a viagem para a Rússia e a Noruega na próxima semana com o objetivo de mostrar que “o País não está parado”.

Além disso, para dar uma demonstração de força política, Temer reuniu 14 governadores e cinco vices na noite desta terça-feira, 13, para jantar, no Palácio da Alvorada, após o PSDB decidir permanecer no governo e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter evitado a cassação de seu mandato.

Também estavam no Alvorada os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Dyogo Oliveira (Planejamento), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), além do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

No jantar oferecido aos governadores para tratar da regulamentação do refinanciamento da dívida dos Estados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o presidente Michel Temer defendeu "uma solução" para as dívidas que somam R$ 50,46 bilhões. Com a chamada “securitização” dos débitos, os governadores terão mais dinheiro em caixa, a um ano e quatro meses das eleições de 2018.

O Planalto, por sua vez, espera como recompensa que alguns deles – como Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo –, atuem para que as bancadas de seus partidos ajudem a impedir, no plenário da Câmara, a possível denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer. O governo precisa do apoio de 172 dos 513 deputados para barrar a abertura do processo.

Interlocutores do presidente chegaram a avaliar que havia “um risco político alto” com a viagem, mas prevaleceu o argumento de que é fundamental que o presidente mostre que está trabalhando, independentemente da crise. / COLABORARAM CARLA ARAÚJO, TÂNIA MONTEIRO e VERA ROSA

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