WILTON JUNIOR|ESTADÃO
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Temer trata com Renan sobre trâmites para assumir Presidência da República

Expectativa da cúpula do PMDB é que a votação no plenário do Senado seja concluída até as 22h desta quarta; se impeachment for aprovado por maioria simples, vice-presidente assume no lugar de Dilma

Erich Decat e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 17h28

Brasília - O vice-presidente da República, Michel Temer, se reuniu na tarde desta terça-feira, 10, com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para tirar as últimas dúvidas sobre os procedimentos que serão adotados para ele assumir a presidência da República, caso o processo de impeachment seja aprovado em plenário nesta quarta-feira.

O encontro, organizado a pedido de Temer, ocorreu um dia após o vice ser pego de surpresa com a tentativa de manobra do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), para anular o processo de impeachment. O deputado foi orientado pelo Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, e pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). Após ser enquadrado pela cúpula de seu partido, Maranhão recuou e revogou a decisão no início da madrugada desta terça.

“O presidente Michel se inteirou de como o Senado vai tratar a questão amanhã e também na quinta-feira”, afirmou o presidente em exercício do PMDB, Romero Jucá (RR), após a reunião realizada na residência oficial do Senado. “Na quinta-feira, havendo a interinidade do presidente Michel, ele provavelmente já definirá a nomeação dos novos ministros” emendou.

A expectativa da cúpula do PMDB é que a votação no plenário do Senado seja concluída até as 22h desta quarta-feira. Se aprovado o processo, Dilma deverá se afastar do cargo pelo prazo de até 180 dias.

Segundo Jucá, que deverá assumir o Ministério do Planejamento na nova gestão, as medidas na área econômica não serão anunciadas no mesmo dia em que Temer assumir a Presidência. “As medidas econômicas virão no devido momento, depois da discussão do ministro da Fazenda, que for nomeado, com o presidente da República”, ressaltou o peemedebista. Para o comando da Fazenda deve assumir o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

O senador ressaltou ainda que um dos primeiros desafios da gestão Temer será o de definir e aprovar a meta de superavit fiscal do ano.

“Tratamos de desdobramentos de matérias que precisam tramitar no Congresso Nacional, inclusive sobre a questão da redução da meta fiscal, que tem até o dia 22 para ser aprovada. Vai precisar de um esforço do Congresso Nacional e do presidente Renan que é presidente do Congresso para fazer essa convocação”, disse Jucá.

No encontro com Renan, Temer também comunicou sobre a decisão de reduzir dos atuais 32 ministérios para 22. Um corte de 10 pastas.

Cortes. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou, ainda nesta terça, considerar como positiva a intenção do vice-presidente Michel Temer de, se assumir o Palácio do Planalto no caso de afastamento amanhã da presidente Dilma Rousseff determinado pela Casa, de fazer um corte no primeiro escalão do governo. 

"Eu acho boa, nós defendemos sempre a reforma do ministério, corte de ministérios, corte de cargos em comissão, de funções gratificadas. Ele, na hipótese de assumir, está muito entusiasmado nessa reforma do Estado que eu acho oportuna, e a sociedade está esperando isso", disse ele.

Renan disse não ter tratado com Temer sobre detalhes do eventual desenho do novo ministério, como a intenção do vice de levar o Ministério da Previdência para a pasta da Fazenda. Ele repetiu que pretende ter com o vice, se assumir o governo, a mesma relação de "independência" e especialmente de "harmonia" que tem mantido com Dilma.

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