Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Temer tenta garantir liderança no PMDB para ser vice de Dilma

Em convenção partidária, deputado busca a própria reeleição à frente da legenda para mostrar força política

Renato Andrade,

06 Fevereiro 2010 | 13h23

Apesar das resistências do grupo liderado pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, o deputado Michel Temer (SP) conseguiu neste sábado, 6, apoio majoritário para realizar a convenção nacional do PMDB. Na convenção, os partidários do PMDB vão eleger o novo diretório nacional e a executiva que irá liderar o partido nos próximos dois anos. O resultado da votação só será divulgado após as 17h.

 

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A intenção de Temer é utilizar o encontro para a sacramentar sua reeleição à presidência do partido e solidificar seu nome como candidato à vice na chapa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na corrida presidencial.

 

Apoiado pelos diretórios regionais do Paraná, Santa Catarina e Pernambuco, o grupo de Quércia chegou a obter na noite desta sexta-feira uma decisão liminar da Justiça do Distrito Federal para impedir a realização do encontro, mas o recurso foi cassado. Quércia, que apoia a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência, é contrário à formação de uma aliança nacional entre o PMDB e o PT.

 

Ainda assim, a discussão sobre a aliança com o PT com vistas às eleições presidenciais de outubro não ficou de fora. "O PMDB precisa de muito mais espaço nacional", defendeu Temer no início do encontro. "Sem o PMDB não há condições de conduzir o País", acrescentou o deputado.

 

Mesmo argumentando que a discussão sobre a aliança com o PT só será feita no encontro do partido em junho, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), defendeu a indicação de Temer como vice na chapa de Dilma. "Esse não é o momento para tratar desse assunto, mas o candidato que mais aglutina forças, em fechando a aliança nacional e cabendo ao PMDB a vice-presidência, é o deputado Michel Temer", disse.

 

Para garantir apoio majoritário para a recondução de Temer à presidência do PMDB e tentar demonstrar maior unidade, os líderes peemedebistas fecharam um acordo para garantir ao senador Valdir Raupp (RO), aliado de Renan Calheiros (AL), a vice-presidência da legenda.

 

Ao longo das últimas semanas, o partido trabalhava com a ideia de conduzir ao cargo o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR). Para agradar o grupo de Renan e evitar outra cisão, os dois lados concordaram com a indicação do senador de Rondônia. "Não podemos quebrar o PMDB, podemos até ter disputas, mas no final temos que unificar", disse Raupp.

 

O esforço em mostrar união e sustentar o nome de Temer como vice de Dilma não deve, necessariamente, se reproduzir em alianças regionais, segundo avaliou Geddel. Para o ministro, a unidade entre o PMDB e o PT será em torno de um "projeto nacional" e nos Estados onde os dois partidos têm candidatos aos governos locais essa união pode não se repetir.

 

Temer buscou enfatizar por diversas vezes em seu discurso, na abertura da convenção, que o PMDB sairá mais unido e fortalecido do encontro. "Fizemos uma grande aliança para mostrar que o PMDB é um só no País", disse o deputado. "Queremos chegar no mês de junho inteiramente unificado", acrescentou.

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