André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Temer tem sexta-feira para esquecer

Fala de economista-chefe do Santander coroou semana de fortes abalos políticos

O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2017 | 20h58

Esta sexta-feira, 7, coroou uma semana para Michel Temer esquecer. Após ver aliados já tratando da continuidade da equipe econômica após sua queda e o principal partido da base aliada trocar provocações a respeito da permanência ou não no governo, o presidente viu um banco classificar como "positivo" o possível fim de seu mandato. 

No caso, a nova dor de cabeça para Temer foi causada pelo Santander. O economista-chefe do banco, Mauricio Molon, disse que a atual saída do presidente do cargo poderia gerar benefícios para a economia brasileira. Molon afirmou que um novo presidente com mais apoio poderia faciliar a situação e aprovar com maior tranquilidade as reformas. 

 

Ainda nesta sexta-feira, Temer teve que apagar os incêndios gerados pelas declarações de um aliado, que vem a ser o primeiro na linha sucessória em caso de transição. Na quinta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificara as denúncias contra Temer como "muito graves". Nesta sexta, Maia  tentou colocar panos quentes na situação, prometendo lealdade ao atual chefe de governo. Confira o placar do Estadão sobre a denúncia. 

 

Quem também colocou o nome de Maia no meio do turbilhão político que assola o Planalto foi o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). O tucano disse na quinta-feira que o governo caminha para a "ingovernabilidade". 

"Se vier um afastamento pela Câmara, ele (Maia) é presidente por seis meses. Se Temer renunciasse já seria diferente, mas, se passar a licença para a denúncia, aí ele (Maia) é presidente por seis meses e tem condições de fazer, até pelo cargo que possui na Câmara, de juntar os partidos ao redor com um mínimo de estabilidade para o País", falou Tasso. 

 

As declarações provocaram bate-boca no PSDB nesta sexta. Enquanto nomes como Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) apoiaram o desembarque do governo, outros tucanos, como o prefeito de São Paulo, João Doria, questionaram a fala de Tasso. 

Com a crise crescendo, até mesmo José Dirceu deu as caras. O petista gravou uma mensagem para divulgar em grupos do partido no WhatsApp dizendo que "irão conseguir retomar o governo". 

 

Para completar a semana, Temer fechou com uma gafe: em vídeo comentando sua participação em encontro do G-20, disse que seu governo está "fazendo o desemprego voltar". 

 

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