Temer se silencia sobre massacre no Pará

Presidente tem demorado a se posicionar publicamente sobre ataques aos direitos humanos no País

Carla Araújo e Leonencio Nossa, Agência Estado

26 de maio de 2017 | 14h07


BRASÍLIA - Em meio a mais grave crise política de seu governo, o presidente Michel Temer ainda não fez comentários públicos ou oficiais a respeito de mais um caso de violação de direitos humanos ocorrido em seu governo. O massacre de dez trabalhadores sem-terra durante uma ação policial de reintegração de posse, em um acampamento na Fazenda Santa Lúcia, no município de Pau d'Arco, no Pará, na quarta-feira, 24, também foi um assunto evitado pelos ministros do núcleo que mais discutem conflitos sociais com o presidente. 

Os ministros Raul Jungmann (Defesa), Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) e Osmar Serraglio (Justiça) foram questionados sobre a chacina numa entrevista coletiva no Planalto, na manhã desta sexta-feira, 26, marcada para discutir o problema da violência no Rio de Janeiro. Único a responder pergunta sobre o assunto, Serraglio disse que a sua pasta está acompanhando o caso com a "presença" da Polícia Federal, sem dar detalhes. Nenhum deles falou de solidariedade ou formação de grupo de trabalho para apurar o caso, como era comum em governos passados.

Não é a primeira vez que Temer demora a dar respostas públicas em assuntos relacionados aos direitos humanos. No início do ano, após pressão de vários setores da sociedade civil, Temer comentou com cinco dias de "atraso" o massacre ocorrido no dia 1.º de janeiro no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. Na ocasião, a repercussão negativa do silêncio do governo fez com que Temer realizasse uma reunião com ministros da área de segurança. Na abertura do encontro, o presidente chamou a chacina no presídio de "acidente pavoroso", o que gerou uma nova onde de críticas.

O silêncio de Temer com situações de violência não ocorre, por exemplo, com acontecimentos internacionais. No último dia 23, o presidente divulgou uma mensagem de solidariedade à primeira-ministra da Grã-Bretanha, Theresa May, após o atentado terrorista ocorrido no dia 22, na cidade de Manchester, na Inglaterra. Temer disse estar consternado com o fato, e que o "Brasil está com o Reino Unido nesta hora de dor".

O governo conta com duas autoridades de ponta para o problema dos Direitos Humanos: a ministra Luislinda Valois e a Secretaria especial de Direitos Humanos, Flavia Piovesan. As duas, entretanto, são criticadas pelo baixo protagonismo no governo. Luislinda foi designada para pasta no dia 2 de fevereiro, mas, de acordo com fontes, ainda não tem o controle total da área. Já Flavia, que o governo tenta emplacar numa vaga no Conselho Interamericano de Direitos Humanos, evita pronunciamentos sobre casos emblemáticos da área.

Defesa. A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto respondeu minutos antes das 15 desta sexta a solicitação da reportagem sobre o silêncio do presidente Michel Temer em relação ao massacre de dez trabalhadores sem-terra em Pau d’Arco, no Pará. “O Ministro da Justiça falou hoje (sexta, 26) sobre o assunto”, foi a resposta enviada.

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