Yekaterina Shtukina/Reuters
Yekaterina Shtukina/Reuters

Temer se encontra com Medvedev e pede mais colaboração econômica com Rússia

Vice-presidente ainda não se manifestou sobre os cortes orçamentários e os projetos de aumento da carga tributária anunciados pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento na segunda-feira

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2015 | 07h22

MOSCOU - O vice-presidente Michel Temer se encontrou nesta quarta-feira, 16, com o primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, na mais importante reunião entre as autoridades dos dois países na atual viagem oficial a Moscou. Em seus discursos os dois representantes prometeram intensificar a cooperação em áreas como educação, ciência e tecnologia, mas focaram seus discursos no objetivo de elevar o comércio bilateral à meta de US$ 10 bilhões estabelecida pelo Planalto e pelo Kremlin.

Em seu discurso, Medvedev ressaltou a necessidade de buscar avanços concretos da colaboração bilateral nas áreas de comércio, indústria, agricultura, ciência e cultura. "O Brasil é o nosso grande parceiro na América do Sul. Trabalhamos juntos e colaboramos em diferentes formatos, como os BRICS, e cooperamos de maneira intensa no G20, na OMC e na ONU.", lembrou o premiê e também ex-presidente. "É muito importante que nossa cooperação política se apoie na cooperação econômica. Nosso comércio tem crescido nos últimos dois anos vem a um ritmo sustentável e, apesar das oscilações do período mais recente, fizemos um bom avanço no que diz respeito ao objetivo de US$ 10 bilhões do comércio bilateral."

Em resposta, Temer reforçou a necessidade de implementação das medidas do plano de ação de cooperação econômica e comercial e convidou as empresas russas dos setores de infraestrutura e energia a investirem no país. "O Brasil tem todo o interesse em atrair empresas russas para trabalhos de modernização de nossa infraestrutura", lembrou, citando setores como o ferroviário, no qual o Estado e as companhias russas têm experiência. "Muito pode e deve ser feito para que possamos chegar à cifra de US$ 10 do comércio bilateral."

Temer está em Moscou há três dias participando da Comissão de Alto Nível (CAN) entre Brasil e Rússia, em Moscou. Acompanham sua delegação seis ministros do PMDB, entre os quais o de Energia, Eduardo Braga, e de Turismo, Henrique Eduardo Alves. Desde que chegou, o vice-presidente só falou à imprensa por pouco mais de cinco minutos, e tem evitado questões sobre a situação política no Brasil. Ele tampouco se posicionou de forma oficial sobre os cortes de R$ 26 bilhões anunciados pelo governo de Dilma Rousseff e não se manifestou sobre se apoiará ou não a proposta de recriação da CPMF, projeto que criticou há três semanas

Na segunda-feira à noite, entretanto, Temer e Dilma conversaram por telefone, quando a presidente explicou o projeto de cortes e de aumento da carga tributária. Segundo ministros que acompanham o vice-presidente, Temer "compreendeu" as alegações e aceitou os argumentos do Planalto."Ele concordou com a argumentação que ela (Dilma) fez, com as motivações que ela apresentou", disse o minsitro Henrique Eduardo Alves. "Ao chegar ao Brasil ele vai trabalhar para ajudar na relação com o poder Legislativo".

A delegação brasileira deixa Moscou nas próximas horas, partindo para Varsóvia, na Polônia, segunda e última etapa da turnê pela Europa.


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