Temer: saída de Erenice não macula campanha de Dilma

O candidato a vice na chapa da presidenciável Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (PMDB), afirmou hoje, em debate organizado pela Rede Record e o Portal R7, que a demissão da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, não macula a candidatura petista e não deve adiar a definição da disputa para um segundo turno. "Não estou subindo no salto, mas acho que não vai exigir segundo turno, vamos ganhar a eleição no primeiro turno", afirmou o peemedebista.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

16 de setembro de 2010 | 18h42

Ele recorreu à pesquisa Datafolha, divulgada hoje, que aponta Dilma na liderança da disputa presidencial - com vantagem de 24 pontos sobre José Serra (PSDB) - para sustentar que os escândalos não afetam a campanha. "É um indicativo que esses fatos não irão macular a candidatura", disse.

Temer afirmou ainda que, se a chapa que compõe com Dilma sair vitoriosa, o futuro governo PMDB-PT vai "blindar a Casa Civil" e todos os demais órgãos para evitar desvios. Ele chamou de "acidente" o episódio envolvendo Erenice Guerra e alegou que, "quando esses acidentes ocorrem, são imediatamente corrigidos".

Reportando-se aos escândalos que atingiram o governo Luiz Inácio Lula da Silva no passado, como o mensalão, Temer lembrou que os personagens envolvidos foram exonerados ou pediram demissão. "Vamos fazer a mesma coisa", concluiu.

O candidato a vice na chapa de Serra, deputado Indio da Costa (DEM-RJ), rebateu Temer. Ele acusou o governo de não debelar os supostos esquemas na Casa Civil e sustentou que o ex-ministro da pasta José Dirceu, que deixou o cargo por causa do envolvimento com o mensalão, "manda na campanha de Dilma". "Nesse governo quem vai mandar é ele (Dirceu), é a mesma coisa, o mesmo lugar onde foi montado o mensalão. Foi a Dilma que colocou a Erenice lá, ela era chefe da Erenice", acusou o democrata.

Na tréplica, Temer afirmou que uma autoridade no comando de um órgão não é capaz de "conhecer os pormenores de cada um de seus assessores". Citando seu cargo de presidente da Câmara dos Deputados como exemplo, ele afirmou que "numa grande organização" podem acontecer coisas sem o conhecimento do superior.

O peemedebista também repudiou a condenação antecipada de Erenice. Afirmou que, num "Estado democrático de direito", a ex-ministra da Casa Civil deve cumprir todas as etapas do processo legal, que passam pela investigação, defesa e produção de provas, até que se chegue à condenação ou à absolvição.

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