DIDA SAMPAIO / ESTADAO
DIDA SAMPAIO / ESTADAO

Temer reúne ministros para avaliar se revoga decreto sobre Forças Armadas

Oficialmente, não há decisão sobre quando - e se - a medida será revogada; Planalto alega que há ministérios vulneráveis por causa das depredações

Tânia Monteiro e Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2017 | 08h23

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer reúne-se na manhã desta quinta-feira, 25, com quatro ministros para avaliar se anula ou não o decreto que convocou as Forças Armadas ontem para garantir a ordem na Esplanada dos Ministérios depois que a manifestação contra o governo e as reformas trabalhista e da Previdência ganhou cenas de violência, quebradeira e enfrentamento entre baderneiros e policiais.

Até a noite desta quarta-feira, o presidente e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, trataram do assunto. Temer saiu do Palácio do Planalto às 23h.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, confirmou em entrevista à rádio CBN que haveria a reunião e afirmou que a convocação das Forças Armadas foi um 'grande acerto'. Além do GSI, o encontro contará com a presença dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo).

Oficialmente, não há decisão sobre quando - e se - a medida será revogada. Hoje, não saiu nada no Diário Oficial da União (DOU) em contrário ao decreto.

Nessa reunião, pode haver decisão política de revogar. Mas há senões. O governo explica que há ministérios vulneráveis, por causa das depredações. Por isso, a decisão de não revogar a medida de imediato, alega o Planalto. Prédios ficaram abertos, sem segurança, e o governo afirmava temer saques.

O polêmico decreto, que prevê o emprego das Forças Armadas no Distrito Federal até o dia 31 de maio, provocou reações imediatas no Congresso Nacional. O Palácio do Planalto pediu que os ministérios compilassem e reunissem imagens das câmeras de segurança mostrando os estragos para ajudar a defender a decisão de invocação das tropas militares. Essas imagens podem servir também para identificar e enquadrar criminalmente as pessoas responsáveis pela depredação.

O Planalto alegou que recorreu ao Exército e à Marinha porque a Polícia Militar do Distrito Federal não conseguiu controlar os manifestantes e conter o que considerou uma “barbárie”. Na Câmara, o anúncio de que as Forças Armadas tinham sido chamadas provocou bate-boca entre deputados. A sessão foi suspensa por 30 minutos. Opositores classificaram a medida como uma espécie de formalização do “estado de exceção”.

Veja fotos do protesto em Brasília:

O decreto de Temer foi visto com preocupação por alguns juristas e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, que disse “esperar que a notícia não fosse verdadeira”  durante a sessão plenária na Corte.

Protestos. O ato em Brasília, que pedia a renúncia do presidente, terminou com pessoas feridas, prédios depredados, pontos de ônibus destruídos, fogo ateado em banheiros químicos e manifestantes presos. Até a noite desta quarta-feira, a Secretaria de Segurança do Distrito Federal não havia informado o efetivo usado pela polícia. Números oficiais indicavam 49 feridos, entre eles, um por arma de fogo, confirmado pela secretaria. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.