Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Temer reúne Levy e líderes para conter reação do PMDB

Vice-presidente tenta reverter posicionamento da bancada de seu partido de não votar o pacote até que o PT se posicione na Câmara

Ricardo Brito, Tânia Monteiro e Nivaldo Souza, O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2015 | 09h37

Brasília - O vice-presidente e articulador político do governo, Michel Temer, reúne-se na manhã desta quarta-feira, 6, com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e os líderes de partidos aliados na Câmara para tentar conter a ameaça liderada pelo PMDB de não apoiar as medidas provisórias que fazem parte do ajuste fiscal. A votação da MP 665, que altera regras de acesso ao seguro-desemprego e do abono salarial, estava prevista para ser votada nessa terça, 5, em plenário, mas a análise da proposta foi adiada pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para hoje a partir do meio-dia. O encontro organizado por Temer ocorre no Palácio do Jaburu, sua residência oficial.

A bancada do PMDB - partido presidido por Temer - irritou-se com o fato de que o PT não havia, após duas reuniões que contaram com a presença de quatro ministros do governo, fechado questão em favor das medidas do ajuste fiscal. Isso significa que os petistas que votassem contra o ajuste não seriam punidos. Outro fato que deixou os peemedebistas irritados foi a crítica feita pelo ex-presidente Lula no programa partidário do PT contra o projeto que amplia a terceirização no País. Cunha e a bancada do PMDB foram decisivos para a aprovação da medida.

O recado da insatisfação do PMDB foi dado pelo líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), no final da noite, logo após a Câmara ter imposto uma derrota à presidente Dilma Rousseff. A Casa aprovou, numa articulação surpresa de partidos da base com a oposição, a Proposta de Emenda à Constituição que eleva de 70 para 75 anos a idade para a aposentadoria compulsória de ministros de tribunais superiores e do Tribunal de Contas da União (TCU). Na prática, a medida retira a certeza de que Dilma indicaria pelo menos cinco ministros do Supremo Tribunal Federal até o fim do mandato dela, em 2018.

Picciani disse que a MP 665 não será mais analisada. "Não votaremos a MP 665 amanhã (hoje), não mais. Até que o Partido dos Trabalhadores nos explique o que quer e, se for o caso, que feche questão para votação das matérias do ajuste fiscal. Se não for assim, não conte conosco. Se há dúvidas e, se o País não precisa desse remédio amargo, nós não vamos empurrar essa conta para o trabalhador, vamos defender e garantir as conquistas dos trabalhadores", afirmou.

Preocupação. Causou preocupação no governo a ira provocada pela fala de Lula em parlamentares da base aliada, particularmente no líder do PMDB na Câmara. O Palácio do Planalto tem pressa e o atraso na votação das medidas do ajuste, que o governo esperava ver encerradas hoje, agora estão ameaçadas.

Embora o ex-presidente Lula falasse principalmente sobre a terceirização, o PMDB não quer pagar a conta do ajuste fiscal sozinho, enquanto o PT aparece como bonzinho, defensor dos trabalhadores. O temor é que esse discurso, segundo um interlocutor do Planalto, além de tirar o apoio do PMDB, possa contaminar os demais partidos da base aliada, que poderão recuar no apoio às MPs do ajuste ou votar contra elas.

Sem o PMDB, não há como aprovar a proposta. A avaliação é que Lula poderia ter ido à TV, mas não jogar lenha na fogueira, atrapalhando a já difícil aprovação do ajuste fiscal. Além disso, o entendimento é que ele errou no tom de sua fala. Já nessa noite, as conversas foram reiniciadas e Michel Temer terá mais trabalho para conseguir manter a base unida pelo ajuste, além de convencer o próprio PMDB a votar a MP 665, e a 664, outra do ajuste fiscal.

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