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Romério Cunha/Vice Presidência
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Temer relutou em aceitar CPMF, mas deu aval, afirma aliado

Ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, que acompanha vice no exterior, diz que Dilma ligou para pedir apoio à volta da CPMF

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2015 | 02h05

MOSCOU - Antes que os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, anunciassem em Brasília os cortes no orçamento, na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff conversou por telefone com o vice-presidente Michel Temer, que está em viagem oficial Rússia. Segundo ministros do PMDB que acompanharam o diálogo telefônico, o vice, que havia se mostrado avesso ao retorno da CPMF na semana passada, teria "compreendido" os argumentos da presidente.

Com isso, de acordo com o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, a divergência sobre o assunto foi considerada superada.

O telefonema aconteceu pouco antes das 16h, horário de Brasília, 22 horas em Moscou. Dilma informou Temer sobre a amplitude dos cortes e do aumento de impostos, medidas destinadas a preencher o rombo e chegar ao superávit de 0,7% do PIB em 2016.

Na visita oficial à Rússia, Temer está acompanhado de seis ministros - todos do PMDB. Na terça ele se recusou a falar sobre CPMF e os cortes. Questionado pelo Estado se apoiaria o retorno da contribuição, o vice-presidente ignorou a pergunta, deixando o local da entrevista.

Segundo Alves, porém, Temer teria aceitado os motivos alegados por Dilma para insistir na proposta. "Ele concordou com a argumentação que ela (Dilma) fez, com as motivações que ela apresentou. Ao chegar ao Brasil ele vai trabalhar para ajudar nessa relação com o poder Legislativo", disse Alves.

Outro ministro a confirmar o teor do diálogo foi Edinho Araújo, titular da Secretaria dos Portos. "A Dilma mesma ligou pouco antes das 16h. Ligou e explicou", disse ele. Segundo Araújo, Temer havia discordado do retorno da CPMF por ter sido pego de surpresa pela proposta.

"Foi a forma como ela foi apresentada. Ele estava em São Paulo para um debate com empresários em uma quinta-feira e soube assim. Ele reagiu naquele momento", afirmou. "Ontem (segunda-feira) ela voltou a explicar todo o elenco de medidas e agora vai para o debate."

Questionado se Temer apoiaria ou não o retorno da contribuição, Araújo desconversou: "Converse com ele. Mas ele concordou com a apresentação que ela fez, com a argumentação que ela apresentou."

Além de Dilma, outro a telefonar na segunda-feira a Moscou foi Levy. "Ele ligou ontem. Perguntou como estava o acompanhamento das emendas que estamos liberando, perguntou se estava tudo bem, se estava se processando normalmente", contou Alves. Questionado se o telefonema revela um maior cuidado do núcleo do governo na relação com os líderes do PMDB, Alves afirmou: "É uma prova, não é? Não só com os ministros do PMDB, mas com o governo como um todo, com o compromisso de mais diálogo e mais cuidado. Afinal, emendas são um direito do parlamentar. O parlamentar tem direito".

Apoio. Questionado sobre o Congresso Nacional apoiará o pacote de cortes e o aumento de impostos, além da recriação da CPFM, Alves demonstrou confiança. "Acho que tem chances se for bem debatido, bem explicada, bem fundamentada."

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