Temer rejeita desistir de candidatura à reeleição no PMDB

Haverá disputa na Convenção Nacional do PMDB, dia 11 de março, para eleger o novo comando partidário. O presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), candidato à reeleição, recusou, no fim da tarde de terça-feira, 27, a proposta de um entendimento em torno da candidatura do ex-deputado e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim. Em Brasília, Temer recebeu telefonema do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), propondo o acordo, e sua resposta foi taxativa. "Não é possível, não vou abrir mão da presidência do PMDB e acho que tenho votos para ganhar a convenção." Temer disse que é um homem de diálogo e admitiu conversar sobre o assunto, mas não nos termos da renúncia sugerida por Cabral. Pouco antes, o presidente da sigla havia recebido telefonema do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB), que comparecera à reunião de governadores do partido com Cabral, no Rio, para reforçar a candidatura de Jobim. Luiz Henrique explicou que havia defendido um entendimento, mas não a favor de Jobim, e sim em torno do nome de Temer. Tentativas Os governadores do PMDB ainda farão, até o fim da semana, uma última tentativa para que o deputado desista. Na terça-feira, Cabral conseguiu reunir quatro governadores da legenda em um almoço com Jobim. Ante a incerteza sobre o número de votos que Jobim - candidato que tem a simpatia do Palácio do Planalto - poderá alcançar, os governadores tentam evitar a disputa, apostando na possibilidade da chapa única. "Ficar contando soldado não é o nosso interesse. Nosso interesse é o entendimento", avisou Cabral, em entrevista após o encontro, no Palácio das Laranjeiras, ao lado dos colegas Marcelo Miranda, do Tocantins, Eduardo Braga, do Amazonas, Roberto Requião, do Paraná, e Luiz Henrique, além do próprio Jobim. "Nosso interesse é o entendimento para que o PMDB saia dessa. O PMDB está muito machucado pela divisão interna. Queremos buscar a coesão em cima de propostas. E achamos que Nelson Jobim tem condições de conduzir esse processo novo que desejamos para o PMDB", acrescentou. Cabral disse ainda que convidaria Temer para um almoço no Rio com os governadores, mas reconheceu que resta pouco tempo. O registro das candidaturas deve ser realizado até o próximo sábado, 3. Recusa Na outra ponta, Jobim foi categórico ao afirmar que também não aceitará o entendimento em torno de proposta semelhante, feita na véspera por partidários de Temer: deixaria a disputa para ser vice-presidente do PMDB. "Não há possibilidade de que eu possa ser vice do Michel. A tentativa de entendimento é exatamente o contrário. São seis anos de administração do Michel, que foram importantes, mas chegou o momento de fazer uma modificação." Apesar de Cabral anunciar que a proposta levada a Temer é dos sete governadores peemedebistas - André Puccinelli, do Mato Grosso do Sul, e Paulo Hartung, do Espírito Santo, não foram à reunião -, ele assegurou que os dois concordam com o entendimento, mas foi mais cauteloso ao declarar o apoio deles a Jobim. Luiz Henrique, apontado como pró-Temer, saiu antes do fim da entrevista. (Christiane Samarco, Alexandre Rodrigues e Wilson Tosta)

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