Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Temer recusa volta à articulação pedida por Dilma

Presidente tenta convencer vice a retomar função, mas ouve que assunto está ‘encerrado’; ex-ministro de Lula é cotado para o cargo

Vera Rosa e Tânia Monteiro , O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2015 | 22h13

Brasília - A presidente Dilma Rousseff fez ontem novo apelo para que o vice, Michel Temer, reassuma a articulação política do governo, mas ouviu um “não” como resposta. Os dois almoçaram, no Palácio da Alvorada, e Dilma pediu ao vice que volte a fazer a “ponte” com o Congresso. Mas Temer recusou.

“Eu não me furto a colaborar, mas esse assunto está encerrado”, disse o peemedebista à presidente. Após anunciar uma reforma administrativa, com corte de 10 dos 39 ministérios, Dilma planeja agora remodelar a Secretaria de Relações Institucionais, que hoje é responsável pela articulação política.

Na segunda-feira, Dilma conversou com o ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PC do B), e pediu a ele que auxilie o governo na reaproximação com o PMDB. O gesto foi interpretado como um sinal de que Aldo pode voltar a comandar a articulação política, como fez no primeiro mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O assessor especial da Presidência Giles Azevedo foi designado por Dilma para ouvir deputados e senadores da base aliada e montar a blindagem do governo na CPI do BNDES. No novo modelo planejado por Dilma, Giles permaneceria como uma espécie de “ouvidor”, mas não seria ministro. Hoje, além de assessor da presidente, ele é conselheiro da empresa Itaipu Binacional.

Com a saída definitiva de Temer da articulação política, o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), também deixará o “varejo” das negociações com o Congresso. Apesar de ocupar a Aviação Civil, Padilha despachava no gabinete da pasta de Relações Institucionais desde abril, quando Temer assumiu a tarefa.

Na reforma administrativa, Padilha é cotado para assumir o Ministério dos Transportes, que deverá ser fortalecido. Nos bastidores do governo, o comentário é que Transportes abrigará Portos e Aviação Civil. Embora petistas queiram que o ministro da Defesa, Jaques Wagner, assuma a articulação política ou a Casa Civil, no lugar de Aloizio Mercadante, Dilma não dá sinais, até agora, de que fará essa mudança.

‘Atabalhoada’. Na conversa de ontem, Temer disse a Dilma que o governo erra na forma como vem tratando a crise e citou a proposta de recriar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que, no seu diagnóstico, foi tratada de forma “atabalhoada”.

Dilma concordou e convidou Temer para uma reunião, no domingo, no Palácio da Alvorada, com o objetivo de discutir saídas para o déficit orçamentário. O vice informou Dilma que na terça-feira reunirá governadores do PMDB, além dos presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e de ministros do partido, para discutir formas de sair da crise política e econômica.

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