Temer recua e pede ajuda à corregedoria

Deputado Fábio Faria usou verba oficial para bancar viagens de artistas

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

A Corregedoria da Câmara - responsável pela avaliação da conduta dos deputados - entrou no caso do deputado Fábio Faria (PMN-RN), que usou a sua cota de passagens aéreas para proporcionar viagens de passeio a 12 pessoas, até mesmo ao exterior. Pressionado, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) resolveu encarregar ontem o corregedor, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), de fazer uma análise da justificativa formal de Faria. Temer e ACM Neto decidirão em conjunto o destino do deputado. Existem dois caminhos possíveis: ou presidente e corregedor consideram satisfatória a explicação e o fato de Faria ter devolvido à Casa R$ 21.343,60 e encerram o caso ou Temer encaminha uma denúncia à corregedoria, que passa a investigar formalmente a suspeita de quebra de decoro parlamentar.Faria não tinha encaminhado até o início da noite de ontem as suas explicações. Temer cobrou do deputado uma justificativa para ter usado a cota de passagens a que tem direito para bancar viagens da ex-namorada Adriane Galisteu, da mãe dela, Emma, e de outros dez amigos e conhecidos. O parlamentar do PMN, segundo a sua assessoria, tinha compromissos no Rio Grande do Norte e não iria à Câmara nesta semana.A falta de regras claras para o uso da cota de passagens aéreas pode beneficiar o parlamentar - um dos possíveis argumentos é de que não há impedimento para a emissão de bilhetes para terceiros, desde que o valor fique dentro dos limites fixados para cada deputado.A principal complicação para Faria, porém, é que ele pagou passagens para pessoas que ajudaram a promover o seu próprio camarote no carnaval fora de época em Natal, em dezembro de 2007. A verba pública teria sido usada, então, para atividade particular e lucrativa - o que complica a situação do parlamentar.EMPRESÁRIOFaria é empresário e sócio do camarote Atlethica, um dos mais concorridos do carnatal. Em 2007, ele usou verba pública para pagar as passagens de três atores da Globo, Kayky Brito, Stephany Brito e Samara Felippo, que animaram o evento. O parlamentar também usou a cota para levar a Natal a arquiteta Viviane Teles, responsável pela decoração do espaço. O deputado devolveu os valores das passagens de 11 pessoas beneficiadas e deixou sem ressarcimento as viagens de Galisteu.No início da noite, ACM Neto afirmou que a sua colaboração no caso será "informal" e só vai se manifestar quando houver uma representação.

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