Martin Alipaz/EFE
Martin Alipaz/EFE

Temer receberá Morales, que acusou impeachment de 'golpe'

Vinda do presidente da Bolívia pode indicar flexibilização da resistência ao peemedebista por parte de governos de linha bolivariana

Felipe Frazão, Carla Araújo e Lu Aiko Ota, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2017 | 17h57

BRASÍLIA - O presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales, realizará visita oficial ao Brasil na segunda-feira, 30, ocasião em que será recebido pelo presidente Michel Temer. Esta será a primeira passagem dele por Brasília no governo Temer.

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Apoiador de governos petistas, Morales foi um dos presidentes sul-americanos que acusaram o Congresso Nacional de promover um "golpe" e rechaçou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o que levou Temer ao poder. Evo Morales apontou em redes sociais um "golpe congressista e judicial" no Brasil e logo retirou seu embaixador do Brasil, após a destituição de Dilma, num gesto de protesto. O Brasil fez o mesmo, mas não houve rompimento de relações diplomáticas. A vinda do boliviano pode indicar uma flexibilização da resistência ao peemedebista por parte de governos de linha bolivariana - outros são Venezuela, Cuba, Nicarágua e Equador.

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Temer deve receber Morales no Palácio do Planalto. Os preparativos estavam sendo realizados por assessores nesta sexta-feira. Depois, o boliviano participará de um coquetel seguido de almoço com ministros e deputados no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o objetivo da visita é aumentar a cooperação e a coordenação bilateral em temas como a "luta contra o crime transnacional, energia, defesa, desenvolvimento fronteiriço, integração da infraestrutura física, temas migratórios e consulares, comércio e investimentos".

Segundo dados oficiais do governo, o Brasil é o maior parceiro comercial da Bolívia e principal destino de exportações do país andino, respondendo por 19%, à frente dos Estados Unidos, que têm 14%. O intercâmbio comercial entre os países foi de US$ 2,8 bilhões no ano passado.

A visita foi precedida de reunião entre o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Huanacuni, e o chanceler Aloysio Nunes Ferreira. Uma das principais pautas deve ser a cooperação na área de inteligência e segurança. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) planeja enviar um adido para La Paz. Também há cooperação na área de saúde, com foco na região de fronteira.

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